"O que o sol faz com as flores", de Rupi Kaur

agosto 01, 2018


Ontem foi um dia particularmente difícil para mim e minha família e hoje, apesar de ainda ser seis e pouca da manhã ainda, já sei que será mais difícil que ontem. Recebemos uma notícia que gostaríamos de nunca ter pensado nela, escutá-la então... Acontece que nós, pessoas que escrevemos, costumamos encontrar algum tipo de refúgio nas palavras e, em meio a um dia tão amargo, me pareceu adequado falar sobre esse livro. 

"O que o sol faz com as flores", de Rupi Kaur, mesma escritora de "Outros Jeitos de Usar a Boca" (resenha aqui), também é uma coletânea de poemas escrito por uma mulher que tem muito a falar sobre abusos, abandono, amor próprio, feminismo, família e outros temas que tocam diretamente ao nosso coração.


O livro é dividido em cinco partes, de forma que elas acompanham o processo de vida de uma flor e, assim como "Outros Jeitos de Usar a Boca", você vai se deparando com uma espécie de denúncia em cada parte do livro.


Temos, mais uma vez, as indicações ao abuso e ao abandono de forma bem explícita. A autora não deixa nas entrelinhas o perfil de relacionamento que te esgota, retira tudo de você e te abandona. Muito pelo contrário, ela dá realce ao tema mais uma vez, assim como o fez na primeira obra. Quanto a este ponto específico, não houve surpresa pra mim. Em verdade, já criou até um padrão em minha mente que os livros de Rupi Kaur falarão sobre isso.


Entretanto, tive outras surpresas agradáveis. Me deparei com poemas lindos sobre a histórias da mãe dela, a dificuldade de abandonar uma pátria e começar tudo outra vez num lugar completamente diferente e o esforço para que seus filhos sejam o mais livres e completos possíveis. Me emocionou bastante ler que, para além dos abusos (que também precisam ser denunciados), o amor de mãe, de família também foi explorado aqui.


Outro ponto que muito me agradou diz respeito aos poemas que enfatizam a união. Rupi destaca mais de uma vez que nós, mulheres, precisamos aprender a ter felicidade pela vitória de outra mulher, a nos unir nessa luta tão desgastante e tão importante que é ser mulher num mundo machista. Entretanto, para além da causa feminista, a autora se preocupa em reafirmar o respeito ao ser humano como um todo, mostrando que não somos inimigos porque de culturas diferentes.


Também foi bastante singelo ler sobre a identidade da autora, enquanto indiana criada no Canadá, quais as implicações de possuir referências de lugares diversos no mundo. Há um poema específico em que ela fala sobre suas sobrancelhas, que são mais marcadas, expressivas e tão características do lugar onde ela nasceu. É bonito ver a autora expressar sua aceitação com o seu corpo inspirando outras mulheres a fazer o mesmo.


Continuo impressionada com a capacidade da Rupi Kaur de explorar sentimentos tão densos e transmitir de forma tão pessoal aquilo que está na sua mente e coração. Ao mesmo tempo, fico ainda mais feliz ao perceber que livros como o dela têm nos feito retornar à poesia e revisitá-la constantemente, nos fazendo lembrar que as palavras são um conforto das horas difíceis.


Recomendo fortemente que você leia este livro!

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2 comentários

  1. Bom dia Karol!

    Primeiramente, seja o que for que aconteceu, que você sinta como Deus está perto de você e da sua família.

    Gosto muito das suas resenhas, fiquei com vontade de conhecer a autora.

    Bj^^

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    1. Kelly, muito obrigada pelo carinho de sempre!!!

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