Análise do CD "O tempo é agora" de Anavitória

agosto 03, 2018


Entrar nas redes sociais e descobrir que o CD novo de Anavitória foi lançado nesta madrugada, foi uma das melhores notícias da minha semana sem sombra de dúvidas. Adoro o duo desde 2016 quando o primeiro CD delas foi lançado. Na época, entrei no modo repetição e tenho a impressão de que eu passei os anos de 2017 e 2017 basicamente ouvindo Anavitória.

Em 2017, tive a oportunidade de ir aos show delas em Salvador e, apesar de ter achado curto demais para o preço do ingresso, adorei cantar alto todas as músicas e achei tudo bem emocionante. Desde então, tenho aguardado o CD novo e imaginem a minha surpresa ao descobrir que elas liberaram de madrugada sem ninguém saber.

Comecei a escutar hoje de manhã e, apesar de achar que cada vez que eu escuto descubro algo novo, acredito que já consigo expressar a minha opinião sobre as canções e sobre o álbum de modo geral! 

O que mais me marcou no CD foi o fato de ele me lembrar o motivo pelo qual eu amo música brasileira. Eu fui instantaneamente remetida a um pop rock lá dos anos 80. Em algumas nuances, parecia que eu estava sendo lembrada de Kid Abelha, de Skank. Claro que o álbum é extremamente original, entretanto, me remeteu muito esse nosso estilo de fazer música.

Fui completamente surpreendida ao ver que as meninas exploraram outros instrumentos. Tem pelo menos duas faixas em que o piano foi o instrumento principal (AMO), tem solo de guitarra na ponte de uma das músicas, em outra ouvi um baixo super presente. Em geral, essas mudanças mostram um crescimento musical muito bacana de presenciar, mas não faltou aquela lembrança do duo que nos acalma com harmonias adoráveis.


Por tudo isso, achei o álbum maduro, as harmonias ainda mais firmes que antes (inclusive, a segunda voz da Ana atinge algumas notas que eu não esperava e achei muito agradável). Agora vamos comentar cada canção:

"Ai, Amor"

A abertura do CD é feita com essa música fluida e com essa batidinha que vai te convencendo e que lembra bastante do duo que conhecemos em 2016. O que eu amei nessa faixa foi a história de dois corações cansados, que sofreram e que se encontraram um no outro. Dividir a dor do peito cansado é como as meninas descrevem. O eu lírico afirma viver no aguardo de ver a pessoa amada voltar e cruzar a porta. Quando elas cantam a frase que dá nome à música, parece tanto uma súplica desesperada, mas também um pedido alegre e fogoso. Achei deliciosa de ouvir!

"Porque eu te amo"

A minha preferida do CD começou me lembrando demais de Skank, talvez pela guitarra batida. Nessa canção o eu lírico está decidido que quer ficar com a pessoa amada e ele justifica isso dizendo simplesmente que é "porque eu te amo e não consigo viver sem ser o teu amor por anos, teu cheiro só tu tem, tua boca só tu tem". Esse refrão é tão reconfortante e o coração viaja rapidamente por todas as histórias de amor que já vivemos. A ponte dessa canção é cantada pela Ana, principalmente, e eu amei as rimas e como volta para o refrão de forma tão leve. As vozes dela estão num casamento perfeito aqui. Melhor do CD, sem dúvidas. 

"Calendário"

"Eu não preciso de altar, só vem, repousa tua paz na minha". Com essa frase e um acompanhamento complemente no piano que somos apresentados a "Calendário". Essa canção é uma entrega total do eu lírico e ele quer passar todo o tempo do mundo com a pessoa que ama. O calendário dele, se pudesse, seria passado totalmente com essa pessoa. "É que você fica tão bem aqui comigo". Nessa faixa temos não só o piano, mas um solo de guitarra que me surpreendeu bastante.

"Outrória"

Primeira e única participação do CD é nessa canção, em que as meninas cantam com Outro Eu. Inclusive, acredito que o nome da música, ao remeter o sentido à palavra outrora, une o nome deles, o Outro com Vitória. Essa canção é adorável, é sobre descobertas, se descobrir em alguém, descobrir o poder de ver a mansidão e o fim do pesar quando alguém especial chega. Ela tem uma batida muito bacana e talvez tenha sido a faixa que mais me remeteu ao folk.

"A gente junto"

Essa foi a música que eu menos gostei do CD, mas isso não signifique que ela não seja boa. Em comparação com as outras, achei que não foi tão incrível, só isso. Essa tem uma proposta mais sensual, tanto na letra quanto na batida. Fala sobre momentos mais íntimos entre pessoas que amam a companhia uma da outra. Aqui, baixo e guitarra constroem um instrumental que eu nunca achei que ouviria num CD delas e a surpresa foi legal.

"O tempo é agora"

A música que dá nome ao álbum é empoderadora. Fala sobre desconstruir ideias, ter fé na caminhada e sobre o poder de estar em qualquer lugar. Explora também sobre se conhecer, se perder para se reencontrar. Basicamente, é um hino sobre ser quem quiser ser e estar onde quiser também. É sobre ser dona do próprio destino. A premissa é muito poderosa e válida. Eu, particularmente, preciso as músicas de amor, mas confesso que um louvor ao amor próprios desse, dá vontade de sair cantando e pulando por aí com elas.

"Preta"

Essa faixa é puro amor, é dedicação à preta amada, revelando a importância da pessoa. O eu lírico faz de tudo pela pessoa amada e a canção é repleta de interjeições e risadinhas da Ana, uma fofura imensa. Essa faixa é cantada pela Ana e a gente percebe como ela funciona tão bem em qualquer função, seja harmonizando ou responsável pelo solo da cação. Além disso, essa é uma música que me lembrou muito o CD anterior.

"Canção de Hotel"

O eu lírico quer desesperadamente encontrar a pessoa do sotaque diferente, quer receber a ligação, quer ser visto. É uma procura dedicada, uma saudade sem tamanho. A ponte da canção é uma das partes mais lindas da música inteira. Só achei que ela foi muito curta e, por isso, o refrão foi repetido por muitas vezes.

"Cecília"

Essa canção marca o retorno do piano ao álbum e é um solo bem triste e intimista. A letra remete a um término, sobre a dificuldade da saudade e da ausência. O eu lírico comenta sobre a tristeza, a abstinência da pessoa. O dueto delas está particularmente lindo nessa música. Confesso que fiquei curiosa com o nome da faixa.

"Dói sem tanto"

Voltando a falar das minhas preferidas do CD, amei tanto essa faixa. A letra não é das mais alegres, elas cantam sobre as dores do fim, mas ao mesmo tempo sobre o desejo constante de retornar ao que tinha de especial com a pessoa amada. Só que, mesmo sendo um pouco triste, o ritmo é tão embaladinho, vai aquecendo o coração e as rimas trazem um conforto inexplicável. 

"Se tudo acaba"

Aqui o eu lírico quer ter a pessoa amada sempre por perto, é uma clássica letra de amor bem característica da Ana e da Vitória. Achei essa faixa bem distinta do folk que marcou o primeiro álbum e achei bem mais próprio do pop rock que eu comentei com vocês antes. Na ponte, achei legal ouvir as meninas arriscarem em notas mais altas e que mostram o alcance vocal delas. Não foi uma das minhas preferidas, mas foi uma forma interessante de finalizar o CD.

No geral, adorei o CD e pretendo ouvir bastante. Além de disponibilizá-lo nas plataformas digitais, ele também está disponível no youtube. Esse é o link para a playlist no youtube com as 11 canções. Dá o play aí:


Esse foi o post de hoje, pessoal. Aproveitem as músicas e depois me contem o que acharam do CD.

Créditos: Foto (primeira do post).

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