Deus e o amor sem distinção

junho 21, 2018


A construção da sociedade na Grécia Antiga, apesar de ser lembrada pela democracia e liberdade de expressão e pensamento, era deveras segregada. O homem era visto, antes de ser humano, como cidadão e parte do seu compromisso com a pólis era de dedicar sua vida a discutir política e participar das votações em praça pública.

Nesse cenário o homem era o cidadão, era o porta voz, era o único que significava para a vida feliz na pólis. As mulheres não tinham cidadania e os estrangeiros também não. A relação com o estrangeiro como a gente conhece hoje na Constituições, o direito de, na medida do possível, possuir atribuições iguais ao nacional, era completamente diferente na Grécia Antiga.

Vocês já sabem que eu estou me especializando em Filosofia e Teoria do Direito e, nos meus estudos sobre os filósofos antigos, não me canso de ficar surpresa com o fato de o berço da democracia ter feito nascer um sistema tão diferente do que nós entendemos como democracia hoje. Muitos dos filósofos da época criticavam a tal democracia, afinal, Sócrates, expoente do pensar filosófico foi condenado por uma assembleia "democrática".

De qualquer forma, o foco aqui é a segregação dos estrangeiros. Isto porque lá nas primeiras histórias da Bíblia este também era o quadro. Em vários momentos da trajetória de Moisés no plano de tirar o povo do Egito, um olhar atento consegue perceber como o estrangeiro, as mulheres e crianças eram tratadas de forma distinta.

A diferença dos costumes, crenças, obediências, religião entre os estrangeiros e os nacionais era basicamente o que justificava a segregação. Dentre tantos povos, com tantos deuses, com tantos costumes, a tradição antiga era de fazer prevalecer os próprios mandamentos sem que estes se perdessem pelo contato com as diferentes culturas dos estrangeiros.

Acontece que, independente das tradições das antigas histórias bíblicas ou do que o berço da democracia considerava correto, a verdade é que o Deus que conhecemos não faz distinção ou acepção de pessoas. O plano traçado por Ele, desde a criação do mundo, até a trajetória de Jesus, foi para salvar todos nós, homens, mulheres, estrangeiros, crianças, idosos.

Saber disso aquece o meu coração e foi exatamente isso que aconteceu quando eu li Êxodo 23:9. Vocês sabem que estou lendo Êxodo (contei no post sobre Gênesis aqui) e, passando pelas leis estipuladas por Deus, eis que leio: "também não oprimirás o estrangeiro; porque vós conheceis o coração do estrangeiro, pois fostes estrangeiros na terra do Egito".

Me emocionei de imediato. Não apenas pelo Deus magnífico que escolhi servir e que não faz distinção de ninguém, mas pelo Deus que tira as vendas dos nossos olhos e os limites das nossas mentes e nos mostra que a gente pode se tornar tudo que nunca imaginávamos ser, podemos viver em um lugar que nunca imaginávamos ir e podemos ter que travar batalhas que nunca imaginávamos necessárias.

Comecei a pensar em todo o caminho que fez com que o povo tivesse que se retirar do Egito. Em verdade, a história de José foi a raiz de todo o caminho. Do momento em que seus irmãos decidiram vendê-lo como escravo, Deus já havia planejado que o povo de Israel, seus servos amados, se tornariam estrangeiros e, certamente, sofreriam por isso.

Quero dizer que por vezes Deus nos coloca em situações que nós nunca cogitaríamos passar. Por vezes, falamos algo, julgamos ou agimos exatamente como se determinada situação jamais fosse recair sobre a gente. Acontece que Deus nos prova o contrário e nos coloca diante de ocasiões para nos ensinar algo que precisamos desesperadamente aprender.

Achei esse versículo de uma sensibilidade absurda e capaz de revelar facetas magníficas do coração de Deus. É esse amor infinito que movimenta nossa vida, nos tira daqui, nos coloca lá, guia nossos passos por caminhos inimagináveis e jamais faz acepção de pessoas, não importa de onde você veio ou para onde você vai.

Estrangeiro ou não, cidadão ou não, grego ou não, esse versículo me fez pensar no quão magnífico e poderoso é o meu Deus, o Deus que não se importa com a sua origem, o seu idioma, as suas limitações, os seus defeitos, mas que contempla o seu coração.

Créditos: Imagem.

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2 comentários

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