Atingi o fundo do poço e lembrei-me de Deus: um paralelo entre José e Daniel da Bíblia com Edmond Dantè de O COnde de Monte Cristo

maio 24, 2018


Perdi as esperanças um dia desses. Trabalhei muito para conseguir algumas coisas na minha vida e, de repente, perto de alcançar os frutos desse esforço, desacreditei que eles chegariam. Foi um pensamento de um segundo que cruzou a minha mente, do tipo "e se não der certo, como você vai fazer para recomeçar?".

Eu dei vazão a um sentimento de um segundo e chorei por uma hora. Inacreditável! Pensando agora naquele momento, nem sei como chegou a acontecer. Mas naquele instante, parecia que em questão de segundos as esperanças foram drenadas do meu corpo e não sobrou nem um fiozinho para contar história. Vocês já passaram por isso? Descobri que falta de esperança é um sentimento verdadeiramente horrível!

Só que eu entreguei os meus caminhos a Deus há algum tempo atrás e foi a melhor decisão da minha vida. Eu não sei no que você acredita, mas eu posso te afirmar com absoluta convicção que Deus é o consolo que eu preciso. E nesse momento de completa falta de esperança, causada pelos devaneios da minha mente e que me fez passar por uma hora de profundo desespero, encontrei Deus lá no fundo do poço que, em questão de segundos eu havia me colocado.

Fiz uma oração. De coração estraçalhado, contei a Ele que era muito difícil confiar. A gente quer ter o controle de todas as coisas e isso é impossível. Agradeci por ter consolo poderoso e adequado exatamente para o que eu precisava. Vocês já pensaram nisso? No quão poderoso é ter um Deus que te ouve a qualquer momento, em qualquer lugar?

Aos poucos, as lágrimas foram secando no rosto, a calma foi retornando, a confiança foi recuperada. E não é uma confiança em mim, mas naquele que é o dono da criação, naquele que venceu a morte e que tem cuidado de mim com uma atenção infinitamente maior do que eu mereço. Foi com a calma retornando ao meu corpo que eu comecei a pensar no que eu vim aqui pra te falar.

Há alguma espécie de beleza em chegar a um ponto em que você depende unicamente de Deus. É muito singelo o momento em que você percebe que se Deus não te sustentar, mais nada o fará! Lembrei imediatamente de José do Egito e de Daniel na cova dos leões, histórias que você provavelmente já ouviu e conhece de ponta a ponta.

Não vim aqui recontar o que vocês já sabem. Em verdade, só venho propor que você foque nesse fator de depender unicamente da mão de Deus e não ter mais nada que você possa a fazer a não ser confiar. Há algo muito belo e assustador nesses momentos. José foi vendido como escravo por seus próprios irmãos. Daniel foi jogado numa cova repleta de leões famintos!

Pensa comigo por um instante. Um deles estava sujeito à força e fúria dos homens e o outro sujeito à força e fúria de animais selvagens. Os dois, em momentos de máxima sujeição, não possuíam nenhum recurso próprio, nenhum contato, nenhuma forma de solucionar seus problemas por suas próprias mãos. Foi diante de situações como essas que Deus mostrou estar muito perto deles e entrando com íntima e específica providência, de forma que não restou dúvidas de que o resultado útil daquele problema veio direto do trono da graça de Deus.

Consegue ver a beleza desses momentos? É no ápice do problema, é quando não há mais saída aparente, é quando você estraçalha o seu coração e clama pela força que você não possui que Deus nos alcança. Tem um louvor da Hillsong United em que, falando sobre Deus, comenta que Ele é aquele que não deixa nenhum para trás e ao pensar nessas coisas a sensação de tranquilidade que recai sobre o meu coração é imediato. Há um Deus cuidando de todas as crises e se revelando para nós!

Daí que todos esses pensamentos acalmaram profundamente o meu ser e algumas semanas se passaram. Entrei no projeto para ler O Conde de Monte de Cristo (leia mais sobre o projeto aqui) que, para quem não sabe, não é um livro religioso, mas é um dos grandes clássicos da literatura mundial. Em breve enredo, temos nosso personagem principal, Edmond Dantè, que foi preso injustamente, por uma denúncia forjada e as ações de um juiz indigno da função.

Na prisão, em condições de inimaginável miserabilidade, sem saber o porquê de sua condenação ou por quanto tempo ficaria preso, Dantè pensa que tem algumas alternativas. Ele pode pedir para falar com o diretor do presídio, ele pode recorrer ao inspetor, ele pode tentar barganhar com o carcereiro e, somente após esgotado tudo aquilo que ele pensava fazer é que ele recorreria a Deus, como instância maior e superior que pode resolver as causas impossíveis.

Achei muito interessante ver como Dumas construiu o raciocínio desse personagem maravilhoso. Dantè estava certo em pensar que Deus é o único capaz de solucionar todo e qualquer problema que temos. Entretanto, ao invés de confiarmos a Deus a última instância, é mais fácil para nós entregar a Ele todo o caminho e receber o consolo durante todo o percurso de dificuldade e saber que, do começo ao fim, Ele tem a direção. Afinal, foi isso que José e Daniel fizeram e tiveram como resultado a condução de toda a sua vida dirigida por Deus.

Acontece que eu não vim aqui para apontar erros de conduta ou julgamento. Só quero que a gente se proponha a pensar que por vezes Deus nos coloca em situações por diversas razões, seja para testar nossa fé, para garantir que tenhamos experiências com Ele, para confirmar o cuidado que tem conosco, para garantir aprendizado. Qualquer que seja o motivo, escrevi esse texto por duas razões.

A primeira delas é para que a gente aprenda a cultivar um relacionamento com Deus durante todo o processo de nossa vida, nos pequenos momentos de alegria e também naqueles de aflição, porque seu consolo e amor é o que nos sustenta e torna o caminho suportável. 

O segundo deles é para que a gente refine o olhar para perceber como o agir de Deus é maravilhoso e singelo. Estamos falando de um Deus de detalhes, de minúcias, que chega no momento em que não temos recursos, saídas, chances e nos concede todos os recursos, mostra inúmeras saídas e nos enche de segundas chances!

Não sabemos o que é ser vendido como escravo, estar numa cova com leões e passar por algo como ser preso injustamente, mas cada um de nós tem o próprio poço e atingimos o fundo algumas vezes ao longo da vida. E quando lá estivermos, suprimidos, subjugados, segregados e em profundo sofrimento, que a gente sempre possa lembrar que é de Deus o nosso caminho, os nossos sonhos e vem dEle o consolo necessário para passar por qualquer percalço.

Mas que, antes de qualquer conflito, você sempre lembre que manter um relacionamento com Deus é a melhor decisão do mundo!

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2 comentários

  1. Eu já passei por isso Karol, e várias vezes. Amei seu texto, vou me lembrar de voltar nele...

    Bj.

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    1. Eu passei algumas vezes também. Acredito que todo mundo tenha momentos assim. Muito obrigada por ler!

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