A força do amor contra a força das águas: uma resenha de A Sereia de Kiera Cass

maio 22, 2018


Entre um livro com claras inspirações kafkanianas e minhas intensas leituras de filosofia para a especialização, achei que seria interessante pegar um livro mais leve na estante. Ao procurar, me deparei com A Sereia de Kiera Cass, que eu comprei há uns dois anos e ainda não tinha lido. Já comentei com vocês que abandonei livros adolescentes há um tempo e tenho me interessado cada vez menos por eles

Entretanto, A Seleção (série da mesma autora), marcou bastante minha adolescência, foram livrinhos que eu adorei ler, me diverti, me envolvi e isso é muito legal nos livros dessa natureza. Acredito que cada tipo de literatura tenha sua finalidade e, para mim, livros assim são os que mais conseguem me divertir.

Querendo uma leitura leve para intercalar e pensando na diversão, peguei A Sereia para ler. A edição conta com uma carta da autora para os leitores brasileiros e isso é muito legal. Nela, a Kiera conta que A Sereia é, na verdade, seu primeiro romance, mas que só foi publicado depois do estouro que foi A Seleção.


Essa é uma informação interessante, porque nós conhecemos a Kiera consolidada, com um perfil de escritora bem delineado através de uma série de muito sucesso. Ter a oportunidade de ler algo do início da carreira dela, antes da grande obra que a tornou muito conhecida, é bem legal. E foi com essas boas sensações que eu parti para a obra em questão.

Em A Sereia somos apresentados a um universo de sereias que foi novidade para mim, não conheço nada sobre o mito e nunca tinha lido nada sobre. Nessa obra, se tornar uma sereia significa ganhar uma oportunidade de continuar vivendo ao invés de morrer afogada. Então, a Água, que é uma personagem nessa obra, concede a algumas garotas que vão morrer afogadas, a chance de viver servindo-a durante 100 anos e após esse período, seguir em liberdade!

Durante esses 100 anos as garotas não envelhecem, não adoecem, mas também não podem se comunicar com humanos, justamente pelo fato de suas vozes serem mortais. A tarefa delas, em servidão à Água, que se torna uma espécie de mãe para elas, é cantar de tempos em tempos para determinados navios e embarcações escolhidas pela Água que, com seu canto, virão a naufragar e matar todas as pessoas.


Neste caso específico, a Água se alimenta dessas vidas e, ao ficar faminta de novo, mais uma vez as sereias vão precisar cantar para uma nova embarcação e assim seguem os 100 anos de servidão. Confesso que achei a sistemática meio bizarra e foi um obstáculo para mim, durante a leitura, encarar todas essas mortes como um serviço de alimentação. Mas sigamos.

Conhecemos, então, Kahlen (Kiera e os nomes estranhos que ela escolhe), uma sereia muito dedicada aos serviços que presta para a Água, que já cumpriu 80 anos de sua sentença e é muito apegada à sua nova mãe. Conhecemos um pouco do período de transfomação de Kahlen e sua trajetória como sereia. Sempre muito prudente, diferente das suas irmãs (as outras sereias), ela prefere a companhia da Água e evita contato com humanos.

A Água retribui tratando-a com evidente preferência em relação às outras sereias e desenvolve um vínculo muito peculiar com Kahlen. Ocorre que, este relacionamento vai continuar assim pacífico por pouco tempo, tendo em vista que Kahleen conhece um rapaz adorável e, depois de poucos encontros, a sereia se apaixona perdidamente por ele.


O relacionamento é super difícil, já que Kahlen não pode usar sua voz e não pode contar muitas coisas sobre sua origem, idade e afins. Boa parte da trama gira em torno desse afastamento entre sereias e humanos. Considerando que ela ainda tem que servir por 20 anos e não vai envelhecer nem um dia durante esse período, fica muito mais difícil manter um relacionamento com um humano.

A verdade é que a maior parte do livro não é repleto de romance, mas sim de Kahlen fugindo e tentando apagar esse sentimento. Ela é daquelas personagens principais que carrega o fardo e sofre e se lamenta, sabe? Isso me incomodou um pouco e o meio do livro eu achei que prolongou muito essa realidade.

Em contrapartida, os poucos momentos que ela passou com o rapaz que gostava foram deliciosos de ler e muito agradáveis. Curiosamente, acho que nessa obra específica, seria mais legal se o romance fosse um pouquinho mais explorado.


O que acontece em seguida, queridos, é que a magia do primeiro amor e da essência de sereia de Kahlen traz complicações para o casal. A agitação do final do livro para descobrir um mistério que gira em torno dos personagens principais é bem agradável, porque o livro recupera a velocidade que tinha perdido. Esse ápice do enredo nos leva a um final bem emocionante e que me arrancou algumas lágrimas, confesso!

No geral, achei o meio muito lento e me desanimou um pouco. Da mesma forma, essa dinâmica da água, alimentação x assassinato também me deixou bem incomodada. Entretanto, achei o romance muito sutil e fofo e o final também foi maravilhoso. Sem contar que, perto do fim, Kiera cita Kafka para fechar o mistério e isso foi incrível.

Em resumo, foi mais um livro da Kiera, com momentos não tão legais, mas outros muito especiais e que proporcionam momento de leveza e diversão. Vale a leitura para quem aprecia livros adolescentes, de romance e mais leves!

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2 comentários

  1. Olá,

    Vi algumas resenhas de livro e muitos comentaram que a história é um pouco parada, mas tenho curiosidade em conferir.
    Adorei seu blog.
    Bjs
    http://diarioelivros.blogspot.com.br

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    1. Muito obrigada pelo carinho. Então, acho que vale conferir sim. Os livros da Kiera são divertidos e mesmo esse sendo mais parado, o leitor sempre se diverte com as obras dela!

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