A beleza das segundas chances e o fantástico universo de Gilmore Girls

maio 31, 2018


Às vezes, tudo que a gente precisa é de uma oportunidade, uma segunda chance, alguém que estenda a mão e diga que vai apostar as fichas em você de novo. Eu sou uma grande fã de segundas chances. Acho que todos merecemos uma segunda (ou até terceira, a depender do caso) chance aqui e ali durante a vida. Só Deus sabe que eu já precisei de algumas.

A segunda chance pode ser uma gigante oportunidade de recomeçar do zero, pode ser também só uma prova que você não foi tão bem e vai poder fazer outra para melhorar. Pode ser a oportunidade de tentar de novo um relacionamento amoroso, pode ser a chance de recuperar uma amizade. Pode ser um perdão, um empréstimo ou qualquer oportunidade nesse vasto mundo que permita que alguém refaça algo, repare erros, tente mais uma vez. 

É apostar no ser humano, sabe? Segundas chances são como depositar fé na natureza humana, são a crença de que podemos fazer e ser melhores do que temos sido. 

Receber de alguém uma segunda chance é realmente sentir a confiança se elevar mais uma vez, é saber que tem torcida mesmo quando você está jogando fora de casa. É ótimo receber uma segunda chance, certo? A depender da situação, aceitamos sem nem pensar duas vezes... Entretanto, não somos tão rápidos em conceder segundas chances. Já repararam?

Pode ser que você não queira tentar outra vez um relacionamento ou depositar sua confiança naquela amizade de novo. Talvez você tenha se cansado daquela pessoa que vive te decepcionando. Por vezes, a gente não quer nem dar a si próprio uma segunda chance. Você não consegue tirar um projeto do papel, realizar sonhos ou cumprir algum compromisso e facilmente você desiste da possibilidade de tentar mais uma vez.

Se você não quiser mesmo oferecer segundas chances por aí, não vou ser eu quem vai te forçar. Mas eu vim aqui pra te contar que eu aprendi a beleza dessas oportunidades repetidas. E foi com Gilmore Girls que isso aconteceu! Vou te contar como.

Séries antigas da Warner são pérolas. The O.C e One Tree Hill mudaram a minha vida lá nas adolescência e, sabendo o quanto eu amava as produções da Warner, decidi baixar o primeiro episódio de Gilmore Girls quando eu tinha uns 15 anos (10 anos atrás, socorro). Não me conectei com a série de imediato (não faço ideia por que) e deixei pra lá. 

Dois anos depois, achei perdido no computador aquele episódio e assisti mais uma vez. Dessa vez, fui tomada pela magia da série sobre o cotidiano, sobre homens e mulheres comuns, numa cidade pequena, sobre parentesco, sobre amizade e amor e, principalmente sobre segundas chances. Claro que na época não tinha me ocorrido que eu tinha dado uma segunda chance para uma série que era basicamente sobre segundas chances.

Pra quem não conhece a história, temos essas duas lindezas da foto, mãe e filha. Lorelai, a mãe, tem um relacionamento péssimo com os pais, eles exigiam dela um estilo de vida pomposo e tradicional com o qual ela nunca se identificou. Aos 16 anos ela engravidou e teve Rory, mas decidiu que não ia casar, saiu da casa e das regras de seus pais e foi criar sua filha sozinha e sem qualquer ajuda.

A série começa quando Rory já tem em torno de 16 anos e consegue ser aprovada para estudar em uma escola particular incrível e super renomada. Rory é super estudiosa e, para os amantes de livros, ela já leu todos os clássicos e todos os livros que a gente ama e que são aclamados pela literatura mundial. Acontece que Lorelai não tem dinheiro para pagar a escola e, depois de 16 anos, retorna aos seus pais para pedir ajuda.

Num geral, esse é o panorama do primeiro episódio. O que temos além disso é uma construção maravilhosa de personagens adoráveis. Temos o dono da lanchonete onde elas sempre comem, temos a professora de dança, o dono do mercado que é meio que o dono da cidade também, temos aquele indivíduo que trabalha com absolutamente tudo, temos o trovador oficial da cidade. Todo mundo é importante, todo mundo se relaciona e é lindo de ver!

Voltando para o tópico de segundas chances, a série é repleta delas. Quando Lorelai saiu de casa para tentar recomeçar, ela se deu uma segunda chance e a personagem bravamente reconhece isso durante vários momentos da série. Não, ela não seguiu o caminho tradicional, mas teve uma vida maravilhosa, um relacionamento incrível com a filha, tudo por que ela fugiu do padrão e se permitiu uma nova oportunidade de reconstruir a vida que ela queria.

Rory passou por muita dificuldade quando mudou da escola pública para a particular. Ela era a melhor aluna na escola antiga e, na nova, era mais uma na multidão. Ficou com medo de não ser capaz e, questionou se a mãe acreditava nela. Nesse momento, ela queria ouvir de alguém que ela merecia tentar de novo. E ela tentou e foi muito especial ver o caminho dela para o topo da classe.

Momentos como esses estão espalhados por toda a série. Sookie tem um tipo de relacionamento com Jackson, ele é o cara que traz os produtos pra ela cozinhar. Eles brigam feito cão e gato. Ela dá uma segunda chance para esse relacionamento e eles se tornam uma família feliz. Rory deixou de ser uma boa amiga pra Lane em um dos episódios e Lane dá a ela outra chance de ser melhor no futuro.

Eu poderia citar aqui milhares de episódios e, se você já viu a série e estreitar o olhar um pouquinho, vai conseguir ver também. Até o final da série, os últimos segundos inclusive são uma espécie adorável e muito visível de segunda chance. E eu aprendi tanto, me diverti tanto e me emocionei tanto que dar uma nova oportunidade para a série, ainda que tenha sido uma decisão pequena, foi muito valiosa pra mim.

Acontece que a história não acaba por aí. Em 2016, a Netflix lançou o revival de Gilmore Girls com mais uma temporada de 4 episódios (um para cada estação do ano) e, logo na estréia eu fui correndo assistir. Acreditem que, mais uma vez, eu não passei do primeiro episódio. Na verdade, pra ser sincera, eu não consegui nem concluir o primeiro episódio.

Achei tudo tão estranho, não gostei dos diálogos (que era o eu mais amava na versão original) e achei as referências aos elementos da atualidade (como internet, uber  e afins) muito forçadas. Percebi que a Rory, uma vez uma garota tão certa do que queria e firme nos seus ideais, estava agora mais perdida do que nunca aos 30. Desisti.

Dois anos depois (duas semanas atrás, pra ser mais exata), resolvi dar uma segunda chance do revival. Só notei o padrão quando tive a ideia pra esse texto. Mas nessa segunda chance eu aceitei que 11 anos depois, tudo mudou. A mudança não necessariamente fez com que o revival funcionasse perfeitamente, mas conforme o quarto episódio foi se aproximando eu notei alguns aspectos tão valiosos que fizeram com a segunda chance valesse a pena mais uma vez.

O principal deles foi Emily Gilmore, a mãe da Lorelai. Ela também se deu uma segunda chance... De repente eu vi as crianças dos empregados dela correndo pela casa ou até mesmo a casa nova dela com vista para o mar, os sapatos simples, o nome dela na escritura da casa. A evolução de Emily foi tão adorável que fez todo o revival valer a pena. E foi fundada em uma segunda chance, um recomeço.

Escrevi isso tudo pra te dizer basicamente duas coisas. A primeira delas é: não tenha medo de dar e receber segundas chances. Como eu já disse, segundas chances são demonstrações de fé e esperança. Tenha fé em você e dê esperança pra alguém que precise. Se o seu projeto não deu certo de primeira, tenta de novo. Se não der certo de novo, pelo menos você sabe que tentou de tudo! Somos muito falhos, vamos errar algumas vezes, mas não desista de primeira. Você pode se surpreender!

A segunda delas é: assista Gilmore Girls. A história da série vai te mostrar que você não precisa pegar o caminho tradicional, seguir o fluxo e todas as regras. Se você se der uma segunda chance, um recomeço, você pode encontrar seu próprio caminho e atingir lugares antes inimagináveis!

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