Riverdale é mais que uma série adolescente e você precisa assistir

abril 02, 2018


Em fevereiro deste ano Riverdale entrou para o catálogo de séries da Netflix. Acontece que pela forma como a série foi descrita, eu não tive vontade nenhuma de assistir. Inclusive, @Netflix, vamos caprichar mais nos comentários sobre as séries. 

Sobre Riverdale, estava escrito lá alguma coisa sobre jovens tentando lidar com desejos conflitantes e uma trágica morte. Zero vontade de ver! Entretanto, passeando pelo Instagram, vi que a Pah do Livros e Fuxicos tinha assistido por indicação dos leitores e gostado bastante. Como a gente tem um jeito e alguns gostos parecidos, eu decidi tentar.

Então, vamos lá ao enredo sem spoilers!

Riverdale é uma cidade pequena e conhecida por sua tranquilidade. Temos aquelas famílias emblemáticas que passaram gerações na cidade e os avós se conheceram, assim como os pais e agora os filhos. Temos os adolescentes dessas famílias que são a representação perfeita de como foram criados e dos costumes de cada núcleo familiar.

Isso já é algo que me atrai bastante. Personagens que são diferenciados pelas tradições de famílias. São pessoas completamente diferentes numa cidade pequenina. Significa dizer que essas diferenças trarão conflito em algum momento.

Dito isto, a série começa com dois irmãos caminhando em direção a um rio e o pequeno diálogo deles dá a entender que existe um plano em execução ali. O garoto desaparece, é encontrado morto alguns dias depois e ninguém sabe dizer ao certo o que aconteceu com ele, nem mesmo a irmã que o acompanhava.

Esse assassinato é capaz de impactar Riverdale de tal forma que, mesmo que os personagens não percebam, todos tiveram mudanças de atitude e de pensamento após a morte do garoto. Ouso dizer que foram os efeitos da perda da inocência. Riverdale era vista como uma criança inocente, um local de confiabilidade, uma boa cidade para criar seus filhos e eventos como esse vão transformando Riverdale em um novo lugar.

Feito este apanhado geral, vamos aos personagens. Temos Archie que acabou de passar por um verão muito diferente, afastado de seus amigos e descobriu uma paixão pela música, muito embora ele seja um típico atleta das escolas norte-americanas (alô Troy Bolton, rs). Mas não apenas da dualidade entre música e esporte viverá Archie. Ele tem algumas informações sobre o dia do assassinato do jovem e mantém um relacionamento secreto com uma mulher mais velha.

De certa forma (que vocês verão quando assistir), esses dois eventos estão interligados e poderemos ver um garoto de 16 anos enfrentar o dilema de escolher confessar as informações que possui, mas colocar em risco seu relacionamento. 


Temos a Beth, garota perfeita (ela odeia essa palavra!), responsável, cheia de ocupações no colégio, super inteligente e apaixonada pelo Archie que, por sinal, é seu melhor amigo. A vida da Beth não se resume a perfeição. A mãe dela é super protetora e meio psicótica com os comportamentos e companhia da garota. Além disso, a irmã mais velha de Beth está internada (ninguém sabe onde), sob a suposta justificativa de te surtado após o assassinato ocorrido no Rio, já que o garoto que morreu era seu namorado.



Temos também a Verônica, it girl vinda de NY, uma super Blair Waldorf renovada. O pai dela está preso e os bens deles congelados em função de condenação por prática de fraude. Ela e a mãe retornam para Riverdale e ela deseja ser uma pessoa melhor e enterrar as más condutas que ela tinha no passado. É muito interessante ver a evolução de uma it girl para uma garota definitivamente legal.


Por fim, temos Jughead Jones, o melhor personagem da série, que é o nosso narrador. Ele é escritor e está investigando e escrevendo sobre o crime ocorrido. Jug é um garoto sem privilégio algum, diferente dos outros da série, seu pai perdeu o emprego, tem problemas com álcool e sua mãe foi embora com a irmã para outra cidade. O garoto é super introspectivo e não gosta de pedir ajuda, geralmente se vira sozinho e é um dos personagens mais profundos da série.



Além do aspecto adolescente bem legal e animado, com amores, traições, esportes, música (adorei que é bem presente na série), temos aquela velha história de ódio entre família diferentes, segredos de gerações e gerações passadas e muitos mistérios, o que torna a série um misto de adolescente e adulto que é muito legal. 

Os pais desses personagens estão cheios de segredos, praticando coisas escusas, enquanto esses adolescentes estão tentando entender o mundo ao seu redor e desvendar o mistério do garoto que morreu no rio. De alguma forma (que vocês vão descobrir) está tudo muito interligado. Por vezes, você vai se pegar pensando que, em meio a tantos segredos, parece que os adolescentes são bem adultos em momentos e os adultos muito infantis guardando ódios passados e dando continuidade a inimizades infundadas.

Além disso, outros temas muito importantes são explorados como corrupção, representatividade, abuso, preconceito, arte e cultura. Percebe-se uma quantidade maior de personagens negras, mulheres em posições importantes, ruivos, pardos e a fuga parcial do estereótipo dos loiros de olhos claros. Não é uma fuga total, mas ainda que seja parcial, merece ser pontuada! Queremos mais!!!

De certa forma, o mistério da série que é o assassinato está interligado com vários dos problemas secundários, o que faz com que a história se apresente bem amarradinha e isso é muito bom. O final é surpreendente (pelo menos pra mim foi) e me deixou super curiosa pra saber o que acontecerá na 2ª temporada!

Pra finalizar, preciso dizer que a última cena da 1ª temporada explora bastante a questão da perda de inocência da cidade. Percebemos que grupos paralelos estão em maior número e mais fortes que os poderes oficiais. Esse talvez seja o tema mais significativo da série para mim, esse caráter de exploração social e como a mudança nas características da cidade pode afetar a vida de todos.

E pra fechar, vai uma cena fofinha:



Deixo aqui minha forte recomendação! Espero que assistam e que gostem!!!

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