O que Shawn Mendes e nossas mães têm para nos dizer sobre desistir

abril 14, 2018


Para que esse texto alcance a finalidade pretendida, eu vou precisar me abrir. São tempos estranhos. Pelo menos pra mim! Parece que você trava uma batalha por dia e a guerra está longe de ser vencida. Você já acorda cansado pela manhã e vai deitar à noite mais cansado ainda. Tudo que você saber dizer é que está exausto e as vezes parece que você está cada vez mais distante do onde você gostaria de estar.

É uma correnteza imensa e você está nadando na direção contrária. Tem dias que a sensação é essa, certo? É um longo caminho que a gente percorre para realizar sonhos... Eu tive dois grandes episódios desses, com vontade de desistir!

O primeiro foi no meio da faculdade. Eu morava em Salvador e meus pais no interior da Bahia. Eu estava cheia de problemas, dos mais diversos, familiares, acadêmicos, financeiros... Minha mãe viajou até Salvador pra me ver e no dia da viagem de volta dela eu senti uma angústia diferente de tudo que eu já tinha sentido. Disse a ela que eu só queria largar tudo, voltar pra casa, arrumar um emprego qualquer, viver perto dela e de meu pai, dentro de uma bolha.

O outro episódio tem pouquíssimo tempo! Dessa vez me incomodava o fato de estar tudo tão incerto e eu não ter tempo nem de processar os acontecimentos da minha vida, porque se eu parar pra piscar já me atrasei no trabalho e nos estudos.

Nos dois momentos, eu conversei com minha mãe. E a resposta dela foi: dê um tempo pra sua cabeça processar, respira a paz, mas desistir não! Desistir não está no sangue, não somos desistentes!

Eu já sabia disso, mas precisava ouvir.

Você provavelmente está se perguntando: o que isso tem a ver com o Shawn Mendes, menina? Tem tudo a ver, você vai entender! Ele liberou dois hits do CD novo e o primeiro deles se chama "In My Blood" (em meu sangue).

A música começa com um pedido de ajuda e ele diz que está se sentindo sobrecarregado e inseguro. Apesar disso, continua dizendo para si que as coisas vão melhorar, mas ele mesmo questiona: vão mesmo? As paredes estão desmoronando, ele está ansioso, tem medo de ficar sozinho e a vontade é de desistir!

Ansioso, sobrecarregado, inseguro... Você se identifica? Vou te dizer uma coisa: pra mim caiu como uma luva! A melodia vai crescendo, tem uma batida bem presente no fundo... Ele canta: as vezes eu sinto vontade de desistir, mas eu não posso... A música alcança o clímax e ele grita: NÃO ESTÁ NO MEU SANGUE!

Fui procurar o sentido real da música. A pessoa que escreveu com o Shawn descobriu que era ansioso e, por isso, ele queria uma faixa musical muito sincera sobre se recusar a deixar a ansiedade e a vontade de desistir tomar conta dele. Uma das primeiras frases da canção é: deitado no chão do banheiro... Segundo ele, não dá pra ser mais honesto que isso. Mas a última frase é: desistir não está no meu sangue!

Ele diz mais: é sobre a sensação de chegar perto de desistir e então desistir de desistir. É alcançar o fundo e se recusar a ficar lá. É passar perto de jogar tudo pra cima e decidir voltar mais forte. É sobre se recusar a desistir, afinal não está no sangue dele!

Eu vou te dizer outra coisa: não está no sangue de nenhum de nós. Não fomos projetados para desistir. Faz uma rápida pesquisa mental a respeito da história da sua família, das pessoas que você ama, daquelas que torcem por você. Aposto que elas também têm dificuldades, aposto que a vida nem sempre foi generosa.

Escutei a música trocentas vezes e realmente comecei a pensar sobre o que minha mãe me disse (e que o Shawn disse também): não está no sangue. Mapeei o meu sangue. Em sentido amplo, o meu sangue é o sangue de pessoas que passaram por coisas muito mais difíceis do que eu, é o sangue de gente que se reinventa em meio às dificuldades. Percebi que a ajuda que eu preciso está bem pertinho de mim, correndo nas minhas veias.

Por vezes vamos precisar de pausas, de um tempo pra processar, de um período para realizar outros sonhos, cumprir outras obrigações e entender que as coisas vão acontecer em tempos diferentes. Outras vezes vamos ter que pedir ajuda, vamos descobrir que o caminho não é para ser percorrido sozinho, vamos ter que admitir e reconhecer nossas falhas, vamos ter que aceitá-las. Não temos todas as respostas... E tudo bem!

Todo esse processo de pausas e de autoconhecimento não é o de desistir, é o de perseverar, de se conhecer, de aceitar imperfeições, de aprender a lidar com elas. E é esse processo que corre no nosso sangue. Caso você precise se lembrar disso, pode perguntar pra sua mãe, tenho certeza que a resposta será similar à da minha mãe (afial, só muda o endereço, não é mesmo?). 

De qualquer forma, você pode aceitar a companhia dessa música incrível também:




Pra finalizar, espero profundamente que essa música e talvez até esse texto te traga boas reflexões. Não sei se você já quis desistir de algo, mas só vim aqui pra dizer que você pode fazer as coisas no seu tempo, na sua velocidade, crescendo durante o processo. Muito embora não pareça as vezes, desistir não é o único caminho.

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