Entre ilusão e realidade, barbárie e conformismo: uma resenha de Clube da Luta, de Chuck Palahniuk

abril 03, 2018


Ouvi falar sobre Clube da Luta pela primeira vez quando fui pesquisar sobre livros que continham reviravoltas, plot twists e finais surpreendentes. De uma simples pesquisa, percebi que essa era uma obra conhecida pelas características que eu acabei de mencionar. Após a leitura, eu só posso dizer que partilho dessa opinião, mas nem só de reviravolta vive um bom livro, não é mesmo?

Vamos ao enredo!


O livro começa pelo fim e eu AMO isso! A gente já é introduzido numa atmosfera tensa em que o nosso narrador, que por sinal não tem nome, tem uma arma apontada para si e acredita fortemente que está prestes a morrer. Quem aponta a arma para ele é Tyler Durden, seu amigo, e ele diz que chegaram naquela situação por causa de Marla.

Até aí você não entende nada, mas a história é construída através de recortes do passado e do presente e nesse vai e vem você começa a entender quem é quem nessa história inesperada.

O nosso narrador tem uma vida normal, está acomodado no seu emprego entediante e se dedicava a comprar móveis que não teriam utilidade alguma para sua casa. Conformismo é o que marca a vida desse narrador no começo do livro.


Acontece que ele começa a ter problemas de insônia e o seu médico sugere que ele vá participar de grupos de apoio para ver o que realmente era sofrimento. Em atenção à sugestão, ele começa a participar de diversos grupos que ajudam pessoas com problemas ou doenças diversas e lá ele finge que também é vítima daquela situação. Só isso foi capaz de solucionar o problema dele com o sono e, por esta razão, ele continuava indo.

É em um desses grupos que ele conhece Marla Singer e descobre que ela é uma farsa, assim como ele. A garota também possui interesses próprio para participar desses encontros e dá a ele um ultimato de que os dois não poderiam permanecer juntos no mesmo grupo, afinal a presença do outro os faziam lembrar da farsa que eles eram.

Mas esse era apenas um dos problemas que nosso narrador viria a enfrentar. Tudo passa a tomar novos rumos quando acontece uma explosão no seu apartamento e ele perde todos os móveis que tinha e tudo que formava seu apartamento perfeito da sua vida de conformismo.

Sem saber o que fazer, o narrador decide pedir ajuda a Tyler, um cara que ele conheceu numa praia de nudismo e que era a perfeita oposição dele. Tyler era um libertário, idealizados, crítico da sociedade e, posso até dizer, um revolucionário. Tyler era tudo que o narrador não era.

Em uma conversa no bar, eles decidem morar juntos e naquele dia Tyler pede apenas que o narrador o dê um soco com toda a força que ele possui. Foi o suficiente, queridos. A sensação de liberdade foi tanta, que esse foi o primeiro passo para que eles fundassem o Clube da Luta!



O Clube funcionava em locais escondidos, dada a ilegalidade da conduta e tinha algumas regras, sendo a primeira delas nunca falar sobre o Clube da Luta.

De repente, a vida do nosso narrador estava completamente diferente do conformismo e da vida de solteiro classe média entendiante. Tyler era sua grande inspiração, ele gostava de estar com Tyler, ele ficava surpreso com os comportamentos de Tyler, ele refletia a respeito dos ideais de Tyler .

Nesse ínterim, o Clube da Luta foi crescendo, Tyler ficou conhecido, várias pessoas participava, inclusive as que estavam antes nos clubes de apoio que o narrador participava! E então, Tyler deu início a novos planos, a expandir sua influência e os seus ideais em um novo grupo, mais arrojado e dispostos a transformar a sociedade em uma espécie de anarquia.

Muitos podem até discordar disso! Vi algumas pessoas comentando o caráter inspirador e revolucionário do que Tyler se dispôs a fazer e eu não vou contar aqui o que foi. De qualquer forma, entendo que houve certos aspectos revolucionários sim, mas se rebelar contra o sistema não significa que seus atos não possam também ser considerados barbárie.

A partir daí, meus queridos, o livro nos reserva muitas surpresas. Temos o relacionamento da Marla com o Tyler que não faz sentido algum, já que ela aparenta desejar o narrador. Temos o narrador começando a divergir dos ideais de Tyler quando estes começam a ultrapassar o limite do aceitável para o brutal, e temos muitos e muitos recortes que vão te fazer se sentir perdido, mas querer mais e mais entender o que está acontecendo.


Inclusive, este é um ponto interessante para comentar. Clube da Luta é um livro escrito por fluxo de consciência e com muitos recortes entre passado e presente. Passa longe de ser uma história linear e algumas vezes você não vai entender NADA. O mais incrível é que quando acontece a principal reviravolta, CADA UM dos aspectos que não tinham ficado claros, de repente estão resolvidos. É INCRÍVEL!

Minha mente deu um nó quando eu cheguei ao final e o livro é realmente surpreendente, pessoal. Acredito muito em obras que têm um pouco de tudo, sabe? A obra está repleta de drama, de algumas partes engraçadas, de diálogos inteligentes, de algumas reflexões sociais e, por fim, de um desfecho que vai amarrar a história inteirinha!

O Clube da Luta é a revolta contra a sociedade moderna, conformada, apegada ao materialismo, à televisão e à vida ideal que, na verdade, não existe. O autor apresenta aquele clube como uma forma de fuga da realidade que massacra a população e a apreende em vidas infelizes e repetidas, escravizadas pelo sistema. 

Ao mesmo tempo explora de forma surpreendente a confusão entre ilusão e realidade de forma que nem o leitor conseguirá saber realmente o que de fato é fruto do imaginário. Minha gente, não posso falar mais nada, porque a partir daqui corro o risco de estragar a história pra vocês. Por isso, essa resenha fica por aqui e eu espero que tenha os encorajado a ler essa obra!

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2 comentários

  1. Nunca li o livro, mas já vi o filme.
    Um beijinho grande*
    Vinte e Muitos

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    Respostas
    1. O filme é muito legal, mas o final é diferente, sabe? Vale a pena ler. Gostei mais do final do livro!

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