A dualidade entre o bem e o mal na natureza humana: uma resenha de O Médico e o Monstro de Robert L. Stevenson

fevereiro 18, 2018


Hoje vamos falar de um livro clássico, muitíssimo conhecido ao redor do mundo e essa foto que eu usei para este post não está aí por acaso. Na verdade, nenhuma das imagens que eu escolho são por acaso. Geralmente, elas conversam com o tema principal da discussão ou do livro que será analisado. Neste caso, não foi diferente e daqui a pouco você vai entender esta minha escolha! 

Nós falaremos de O Médico e o Monstro e a primeira coisa que você precisa saber é que esse livro tem outro nome também: O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hide.

No primeiro contato com a obra, somos apresentados a um diálogo entre Richard Enfild e o advogado John Utterson e o primeiro relata ao último um episódio curioso que aconteceu envolvendo Mr. Hyde e uma criança. Nesta oportunidade, o primo do advogado revela que Mr. Hyde é uma pessoa estranha, um tanto sinistra e que não parece se abalar tanto com o bem estar do próximo, os efeitos de seus atos ou qualquer outro valor moral.

Acontece que, sendo advogado, o Sr. Utterson fica imediatamente preocupado ao ouvir aquilo. Isto porque ele é muito amigo do Dr. Jekyll, que é um médico respeitado pela comunidade, e este o revelou que beneficiou grandemente Mr. Hyde em seu testamento

Diante disso, como bom amigo e advogado sagaz, John Utterson passa a observar Mr. Hyde e na oportunidade que tem de encontrá-lo, impressiona-se com suas feições, como se houvesse alguma deformação em seu rosto, mas que não era algo exatamente visível. Além disso, se incomoda com a presença de Mr. Hyde e conclui que tudo a respeito daquela pessoa é extremamente sinistro e peculiar.

Ainda fundado em pura preocupação com seu amigo, Utterson confronta Dr. Jekyll sobre esse ato injustificado de beneficiar o estranho Mh. Hyde em seu testamento, mas o médico assegura que não há nada de errado e age sempre de forma subversiva e defensiva quando o assunto é abordado.

Ocorre que há uma sucessão de atos extremamente cruéis envolvendo Mr. Hyde e também de condutas estranhas partindo de Dr. Jekyll. É evidente que há algo de estranho no caso e que há alguma espécie de relação peculiar entre os dois indivíduos tão diferentes. Cabe, portanto, ao John Utterson tentar desvendar o mistério entre o médico e o monstro.

O desfecho, meus queridos, é incrível. Infelizmente, eu li o prefácio do livro que me deu uma bela (sqn) ideia do que estava acontecendo com Jekyll e Hyde. Então, não façam isso, passem direto para o texto mesmo! Mas, ainda assim, eu fiquei surpresa com alguns aspectos e tenho certeza que se eu não tivesse lido o prefácio, seriam completamente surpreendida. 

De qualquer forma, até o caminho para a grande revelação é construído de uma forma muito interessante, porque são através de cartas que o advogado finalmente descobre tudo que aconteceu. E, o que mais me deixou impressionada foi a discussão que a última carta deu espaço. Eu estava satisfeita lendo um pequeno clássico de mistério e achei que seria só isso.

Entretanto, fui surpreendida por uma discussão muito bacana sobre o bem e o mal e a luta interna que o homem vive diariamente. Ninguém é totalmente bom ou completamente ruim e é essa mistura de extremos que nos torna exatamente quem somos. O livro deseja discutir, na verdade, o que aconteceria se pudéssemos ser apenas uma dessas coisas, se fosse possível isolar bondade e maldade.

Acontece que, caso fosse possível, isso tiraria nossa possibilidade de escolha. Agir de forma boa ou ruim parte da escolha de cada um e possuir as duas extremidades em nós é o que nos torna seres humanos errantes. Com a leitura da obra é possível perceber, inclusive, o perigo da definição unidimensional.

Somos seres multifacetados e a eterna luta interna entre agir bem ou ser mal é inerente à natureza humana. Inclusive, sobre o tema, deixo um trecho muito interessante do livro para reflexão:

"Se cada um pudesse habitar numa entidade diferente, a vida se libertaria de tudo o que é intolerável. O mau poderia seguir o seu destino, livre das aspirações e remorsos do seu irmão gêmeo, a sua contraparte boa. E esta caminharia resolutamente, cheia de segurança, no caminho da virtude, fazendo o bem em que tanto se compraz, sem se expor à desonra e à penitência engendradas pelo perverso. Constitui uma maldição do gênero humano que esses dois elementos estejam tão estreitamente ligados; que no âmago torturado da consciência, continuem a digladiar-se."

Acredito que compreender a ilustração tenha ficado mais fácil agora! Temos um indivíduo envolvido com ciência, claramente angustiado e outro indivíduo com feições maldosas e que quer, aparentemente o controle da situação. Apresento-lhes, meus queridos, uma ilustração muito bacana de Jekyll e Hyde. 

Veja que a bondade nem sempre é sinônimo de felicidade, da mesma forma que a maldade não significa sempre ser libertário e estar desapegado das amarras morais. Por isso os dois aspectos da consciência devem andar juntos. Por vezes, um representará limite ao outro e talvez a dualidade entre o bem e o mal seja extremamente necessária ao homem.

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