As incríveis leituras de 2017

janeiro 25, 2018


Chegou a hora de finalmente falar sobre os livros lidos em 2017 e comentar sobre as melhores leituras do ano. Antes de tudo, preciso dizer 2017 foi o ano em que eu me propus a ler clássicos, livros aclamados pela literatura mundial, obras que instigassem o meu intelecto e me colocassem para pensar.

No início do ano, eu ganhei um exemplar das novas publicações de Orfanato da Srta Peregrine Para Crianças Peculiares, então decidi começar por ele logo antes de colocar o plano em prática. Acontece que não gostei do livro, vi vários erros na edição e acabei dando 2 estrelas para o primeiro livro do ano. Mas tudo bem! Depois disso foi só alegria, porque eu li em Janeiro quatro livros que foram parar na lista de melhores do ano que vocês vão ver no final desse post.

Posso adiantar que foi um ano em que eu não li tanto. Afinal, foram apenas 21 livros, mas 2017 foi legal não só porque conheci obras que me moldaram como leitora, assim como li muitos livros digitais e larguei essa resistência de só querer ler livros físicos. 


Acredito que isso se deva ao fato de eu ter ganhado um Kindle Paperwhite de presente e ter ficado completamente apaixonada por ele.

Você também vai perceber nessa lista que eu li alguns livros de não ficção, desde de religiosos (O Anseio Furioso de Deus e Hearing God's Voice Today) até livros mais próximos de relatos pessoais da vida do autor (Meu Menino Vadio). Esse era um gênero que eu não costumava ler tanto, mas gostei da experiência.

O que também ganhou espaço nas minhas leituras foram os contos. Em 2017 eu pude ler O Curioso Caso de Benjamin Button, Papel de Parede Amarelo, Metamorfose. Pode parecer pouco, mas pra quem nunca lia contos, já é o marco inicial! :)

Antes de ir logo para os melhores do ano, preciso dizer que 2017 me fez conhecer muitos autores maravilhosos. Foi nesse ano que li meu primeiro Gabo, Kafka, Hemingway, Orwell, Fitzgerald. Também foi a primeira vez que eu li livros de Chico Buarque, Chimamanda Ngozi, Ian McEwan e Elena Ferrante.

Acho que já deu pra perceber que o meu ano de leituras foi incrível né? Agora vamos, finalmente para o TOP 8, os melhores do ano!


Em 8º lugar, O Papel de Parede Amarelo!

O livro é um dos precursores da literatura feminista no mundo e conta, em apenas quarenta e poucas páginas a história de uma mulher que foi diagnosticada pelo marido como tendo "depressão nervosa temporária", motivo pelo qual ele a confinou no quarto de uma casa de veraneio e a proibiu de seguir com sua vida, sob a justificativa de que o confinamento era o que ela precisava para ser curada.

O grande problema em torno desse enredo é que nós estamos falando de uma história ambientada no século XIX, em que a opinião masculina era absoluta. Sem contar que o marido da nossa personagem principal é medico, o que torna sua conduta inquestionável. Quem iria dizer naquela época que a palavra do marido e médico da protagonista estaria errada? Ninguém diria e esse é o problema.

Em breve exposição, a obra vai destacar em fluxos de pensamento o interior dessa personagem, o que passa pela sua cabeça, o que ela pensa e deseja. Por conta disto, passamos a observar que ela se torna obcecada pelo papel de parede, de cor amarela, que enfeitava uma das paredes do quarto. No desenvolver da história, beirando a psicose, ela começa a acreditar que existem mulheres trancadas dentro do papel de parede e, posteriormente, passa a achar que é uma delas.

A verticalização no interior dessa personagem é visceral, extremamente incômoda, mas ao mesmo tempo muito necessária. Ela passa de um ponto em que quer se livrar do quarto para outro ponto em que ela começa a ver o quarto como seu porto seguro. Estes são os reflexos do confinamento causado numa personagem erroneamente diagnosticada por seu marido que não acreditava ou não queria acreditar nos problemas interiores que ela estava enfrentando.

Posso adiantar que o final é pra chocar e te fazer pensar muitas coisas muito tempo depois que o livro acabou!

Em 7º lugar, Aos 7 e aos 40.

Nós temos aqui aquele tipo de livro que recorta fatos do cotidiano e, mesmo te colocando pra pensar bastante no dualismo entre a complexidade e a simplicidade dos fatos que formam nossa vida, também aquece bastante o coração.

É aquele tipo de livro que faz com que o leitor sinta que encontrou alguma espécie de casa, quarto, conforto nele. Uma preciosidade que merece ser lida.

Sobre o enredo, teremos esse recortes do cotidiano do personagem quando ele tinha 7 anos e quando ele tinha 40 anos. Esses fatos se relacionam de uma forma tão especial que só alguém com muita sensibilidade para reconhecer a beleza da vida poderia escrever algo como este livro. 

Fatos como primeiro amor, casamento, divórcio, amizade são colocados em exposição na perspectiva dos 7 anos e dos 40. No final, a mensagem de amizade e conforto que você encontra, te faz querer morar dentro desse livro. 

Em 6º lugar, O Grande Gatsby.

Aqui começamos a pisar em território de clássicos da literatura mundial que dispensam comentários. Acredito que a premissa de O Grande Gatsby já seja conhecida por vocês, então vou me ater ao que se destacou pra mim.

A Era do Jazz ficou muito delineada, as extravagâncias dos ano 20 também e, confesso, ler O Grande Gatsby ouvindo uma playlist de Jazz no Spotify foi uma experiência muito agradável e que me ajudou a ficar ambientada nesse período tão misterioso pra mim.

Dito isto, não podemos esquecer que esse cenário de extravagâncias foi o palco perfeito para a história de Gatsby, uma espécie de redenção de uma pessoa que venceu na vida e deseja, antes de qualquer coisa, reconquistar seu grande amor.

Em meio a essa história de amor em que a riqueza parece ocupar um dos lugares mais importantes, nunca imaginei que fosse encontrar uma mensagem de amizade e fidelidade. Mas foi o que aconteceu. Isto porque o narrador do nosso livro, Nick, se torna amigo de Gatsby e quando absolutamente tudo foge do controle de Gatsby, ele é o único que permanece fiel até o fim.

Acredito que esta seja a razão para este livro estar nessa lista. Claro que estamos diante de uma escrita incrível, de uma história repleta de simbolismos e de uma obra que destaca um dos períodos mais curiosos da história americana. Entretanto, em meio a tanta valorização da riqueza e tantos personagens deslumbrados com futilidades, nem passou pela minha cabeça que, a despeito do dinheiro, fama e luxúria, a amizade seria protagonista do final. 

Por ter ficado tão surpresa com a mensagem, além de todas as características que fazem deste livro memorável, ele merece estar nessa lista. 

Em 5º lugar, A Revolução dos Bichos.

Imagine um granja em perfeito funcionamento, com o dono da propriedade cuidando dos animais e da produção que lá é realizada. Agora imagine a insurreição desses animais contra o dono da granja. Eles planejam a tomada do poder e colocam o dono pra fora. Depois criam uma espécie de governo interno em que a grande promessa seria os animais serem bem cuidados, com direitos iguais e bom tratamento. Não parece tão natural, não é?

Vou te dizer que é mais natural do que você pensa. Até porque, nessa história, a revolução dos bichos vai gerar um governo opressor, uma tirania muito mais opressiva do que a que anteriormente dominava. Prece familiar? Eu sei que parece. Esse é o poder de um livro atemporal.

George Orwell foi dotado de uma genialidade que jamais poderá ser colocada em palavras. Ao escrever sobre animais que propunham um governo igualitário e terminam por desenvolver uma repressão de proporções catastróficas, o Autor critica o Stalinismo e, ao mesmo tempo, cria um manifesto atemporal que continuará valendo por muitos e muitos anos após a sua publicação.

Preciso dizer mais uma coisa: o final é absolutamente impressionante, esclarecedor, instigador e é o livro que você precisa ler pra pensar na natureza humana e política. 

Em 4º lugar, A Metamorfose.

Não sei se eu saberei escrever o que esse livro causou em mim e já começo dizendo isso porque foi a coisa mais visceral que eu já li na minha vida!

Nosso personagem principal acorda numa certa manhã e está metamorfoseado em um inseto gigante e grotesco. Pronto! Você já sabe a causa de todos os acontecimentos seguintes. Isso eu posso te explicar, o que eu não tenho como explicar são as consequências.

Rejeição, egoísmo, incompreensão são apenas um dos sentimentos que você terá que lidar ao desbravar essa leitura. A verdade é que esta é uma obra sobre a natureza humana. Sobre as profundezas do interior humano. É um soco no estômago, um tapa na cara e eu poderia falar mil coisas sobre todas as reflexões que esse livro me causou, mas você só vai entender quando ler. E te digo, ler Kafka é sair da zona de conforto e eu acredito que todos devemos fazer isso em algum momento.

Em 3º lugar, Enclausurado.

Primeiro livro do Ian McEwan que eu li e terminei em poucas horas! O enredo ficou na minha cabeça muito tempo depois da leitura e até hoje me impressiona o tamanho da originalidade desse autor.

Nós temos aqui um narrador muito peculiar. Usando o caminho inverso de Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas, o nosso narrador é um feto que conta a história ainda na barriga de sua mãe. Entretanto, o curioso é que ele é um personagem IMPRESSIONANTE. O pequeno feto é sagaz, irônico, muito inteligente e bem informado.

A obra foi inspirada em Hamlet de Shakespeare e, assim como na clássica tragédia, a mãe do pequeno feto planeja com o tio, a morte do pai do personagem e narrador. Em Enclausurado, nosso personagem principal esclarece o plano da mãe e acompanha de perto todo o desenrolar da história de amor da mãe e do tio. 

Além de ser um plot surpreendente, a escrita do autor é maravilhosa, repleta de referências culturais e históricas e reflexões instigantes e o fato de toda essa maravilhosa experiência de leitura vir de um feto é de uma genialidade que, na minha opinião, não tem sido encontrada com facilidade nos livros contemporâneos. 

Leitura incrível, final surpreendente. Leiam!!!

Em 2º lugar, O Velho e o Mar.

Posso dizer com tranquilidade que esse livro, de todos os que eu li nesse ano, foi o que me possibilitou as maiores reflexões, a maior satisfação e, principalmente, o que me proporcionou crescimento enquanto ser humano. Livros que fazem isso são tão poderosos né? Eu juro pra vocês, ele quase ficou em primeiro lugar. Levei um tempo pra decidir qual seria a posição dele.

Basicamente, o livro tem uma premissa simples e é bem curtinho. Inclusive, acho que essa seja a principal magia dele: agir na simplicidade. Hemingway não precisou de muitas páginas nem de enredo complexo pra te fazer pensar sua função no mundo. 

Mas vamos lá. Temos aqui um homem mais velho, pescador, que já está algum tempo sem conseguir pegar peixe e esse fato começa a preocupá-lo. O peso de ser um pescador que não consegue pegar peixes o incomoda profundamente. Por isso, nosso querido personagem principal decide sair em alto mar e pescar o maior peixe de todos, cumprir o maior dos desafios e imagina que voltará a ser respeitado assim que o fizer.

Gente, o restante do livro se desenvolve na tentativa de pegar o peixe e todas as manobras que o senhorzinho precisa fazer para cumprir o desafio imposto por ele mesmo. Mas não é isso que impressiona. A questão principal (e eu me emociono só de lembrar) são as reflexões dele enquanto tenta de todos os jeitos capturar o enorme peixe.

O leitor se depara com dualidades entre solidão e companhia, certo e errado, amizade e inimizade. Não bastasse todos os seus conflitos internos, é possível se sentir motivado pelo tanto que o pescador Santiago deseja pegar aquele peixe. Entretanto, o que eu achei mais incrível é que quando ele finalmente está prestes a concluir sua missão, começa a pensar na real necessidade daquilo.

E, com toda a sabedoria que só um senhor de idade mais avançada poderia ter, passa a ver o peixe como um igual, como um amigo, como alguém que nunca lhe fez mal e que não merece ser tratado com desrespeito. Neste ponto, somos colocados a pensar no papel do idoso e no papel da natureza do modelo de vida que levamos, em que os dois são continuamente ignorados ou desrespeitados.

O final é incrível também e eu terminei a leitura submersa em tantos pensamentos e em tatas reflexões, além daquele desejo insubstituível de ser um ser humano melhor.

EM PRIMEIRO LUGAR, FAHRENHEIT 451!

Foi muito difícil escolher entre ele e O Velho e o Mar. Mas vou começar explicando o porquê de Fahrenheit 451 ter sido o vencedor.

Este é um livro que fala sobre a importância dos livros. E gente, eu sou a prova viva da importância dos livros. Vou fazer um post sobre a minha história com a leitura, mas posso dizer que os livros sempre estiveram presentes, esse amor é antigo. Então, foi como se esse livro falasse diretamente no meu coração. Ele versa sobre absolutamente tudo que eu acredito. Sobre se posicionar, raciocinar, ter opinião, questionar o mundo ao seu redor, não aceitar com facilidade o que é imposto sem explicação prévia. 

É um livro sobre livros, a metalinguagem é evidente e bela e indispensável. Eu falei muito dele na minha Maratona Literária de 24h e você pode ver o vídeo aqui.

Sobre o enredo, posso adiantar que é uma distopia e estamos em um mundo em que os livros são perigosos e proibidos. Os bombeiros neste universo tem a função de queimar os livros, cumprindo a lei desse novo sistema. Por acaso, nosso personagem principal é um bombeiro e logo no início da obra se encontra com uma garotinha que, num diálogo muito libertário, mostra a ele que ele tem vivido a vida sem observá-la atentamente, sem fazer questionamentos.

Aquilo fica na cabeça dele. Por acaso, em uma das bibliotecas que ele vai queimar, a dona prefere morrer queimada juntos dos seus amados livros a viver sem eles. Aquilo choca o nosso personagem que, sorrateiramente, leva alguns livros dessa senhora pra sua casa. E aqui, meus queridos, a magia acontece. Ele começa a ler e descobre o que há de tão espetacular na literatura, o que o leva a apenas um caminho: lutar pelo direito de ler.

Um livro brilhante, uma premissa instigadora que eleva os livros ao nível de importância que eles merecem. Entenderam o motivo do encanto? Ele precisava esta no primeiro lugar dessa lista.

Então é isso, pessoal. Espero que vocês tenham gostado das minhas considerações. Vocês conhecem alguma dessas obras? Tem vontade ou já leu alguns deles? Me conta nos comentários, vamos criar aqui um espaço para falar sobre literatura!

Posts relacionados

0 comentários