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quinta-feira, 15 de junho de 2017

Minhas músicas não são mais suas!



A coisa mais curiosa do mundo aconteceu esses dias. Mas antes de te contar o que foi, preciso te contextualizar e te dizer que essa não vai ser uma história triste, como algumas que já escrevi. Vai ser uma de superação, embora não pareça logo de cara. Eu não sabia que seria uma boa história, até o que aconteceu hoje. Senta aí que vem história.

Eu sou fãzona da Taylor Swift desde que as massivas decepções amorosas dela se tornaram músicas com as quais eu me identificava. Vamos lá, basta ser garota ou garoto (sem distinções aqui, por favor!), ter em torno de 16 anos, somar a isso uma intragável dor no peito chamada amor, que você vai se sentir em casa em um CD da Tay!


Era exatamente assim, a cada CD, um novo lar. Só que sempre tinha uma música específica em cada álbum que contava a história da minha vida. JURO! Parecia que ela tinha parado pra escrever a história da minha vida. Só que era sempre a mesma história, até porque eu e os romances nunca nos entendemos muito bem, o que me fez ter basicamente uma única história, vulgo tragédia Shakespeariana, que a Taylor parecia conhecer muito bem.

O que eu não sabia na época é que, por mais que a minha história parecesse a tragédia grega do século, todo mundo tem uma dessas pela vida. A diferença é que eu deixava a minha me definir e, por esta razão, eu continuava nesse ciclo vicioso esperando qual música do CD novo da Taylor me contaria o que eu já sabia.

Se vocês soubessem que história é essa, entenderiam que "Speak Now", do álbum homônimo, é minha de ponta a ponta, tirando, é claro, a parte que ela tem coragem de levantar de seu assento e falar pro noivo como se sentia. Essa coragem nunca me fez uma visita.

Em "Fearless", a minha música era "Breathe", porque "você é a única coisa que eu conheço como a palma da minha mão" e também "nada que dissermos vai nos salvar da queda", assim como porque "é duas da manhã, parece que eu perdi um amigo, espero que você saiba que não é simples pra mim" e principalmente porque "eu não consigo respirar sem você, mas eu preciso". 

"Red", apesar de ser um álbum diferente, marcando a mudança no estilo da Taylor, também me fez encontrar a que ela escreveu pra mim. Era "All too well" justamente por falar de algo que já passou, mas que ainda estraçalha por dentro. A ponte da música, quando ela canta "então você me liga de novo só pra me quebrar como uma promessa, casualmente cruel em nome de ser honesto" era o hino daqueles que, como eu, não conheciam a superação.

Eu sei que eu falei que seria uma história legal, aguenta aí mais alguns parágrafos. Essa é a parte difícil, incômoda, visceral, grotesca. A parte do "nunca vou esquecer", "não vai passar", "não consigo derrubar os muros de novo". Hoje eu acho que tudo fica mais dramático quando se é adolescente, mas também acho que tem a ver com esse meu jeito de guardar, internalizar, remoer, engolir. Ao tempo, eu realmente ouvia as músicas pra me permitir sentir a tristeza que liderava aquela situação.

Sabe o que aconteceu no último álbum, 1989, lançado em 2014? Eu não achei nenhuma música que traduzisse a minha história. Parecia que o ciclo tinha chegado ao fim, afinal nenhuma das canções do álbum contava perfeitamente o que eu tinha passado. Vou culpar a fraqueza do ser humano no que eu vou te contar agora: eu analisei cuidadosamente cada letra, tentando achar alguma música que tivesse, ao menos uma frase, pra provar que a Taylor ainda tava ali comigo. Só que ela não estava e eu não deveria estar também.

Fato é que em 2014 também foi a estréia do Spotify, streaming de música, aqui no Brasil. Comecei a usar o serviço logo no primeiro dia e continuo cliente até hoje. Só que a Taylor não tinha concedido autorização para reprodução de suas músicas no aplicativo. O que aconteceu? Eu baixei o CD novo, salvei no celular, mas todas as outras músicas que eu escutava, eram reproduzidas pelo aplicativo. Justamente por isso, esfriei um pouco com as músicas dela, já que era tudo muito mais fácil com o Spotify e o fato de ela não estar lá, me ajudou a desapegar.

Agora que você já sabe disso tudo, posso te contar exatamente o que eu vim aqui pra te dizer. Nessa semana, em junho de 2017, a Taylor Swift entrou pro time dos músicos que disponibilizaram seus álbuns no Spotify. Fui correndo pra frente do espelho, pasta de dente na mão como se fosse meu microfone, pra cantar alto todas as músicas da minha adolescência.

Imaginem a minha surpresa quando eu escutei todas aquelas que eram as traumáticas, as que me definiam, as que me destruíam por dentro e eu não senti nada além de uma pequena apreciação por estar ouvindo boa música.

Sabe, eu tenho o costume de dedicar músicas para pessoas. Tem música que me lembra meus pais, tem outras que me lembram amigos, tem aquela que lembra o ex, tem música pro crush platônico (rs), tem música pra mim, pro meu crescimento pessoal. E elas ficam pra sempre vinculadas a essas pessoas ou situações.

Hoje eu descobri que não precisa ser assim! Eu posso libertar minhas músicas de certas pessoas ou encontros, da mesma forma que eu posso me libertar. Sabe que foi exatamente assim, libertador? Cansada de remoer o passado, o peso, a tristeza. Querendo muito mais presentear o presente com boa música que é tão livre quanto eu!

Minhas músicas não são mais suas, são só minhas e eu sou só minha, até eu decidir ser de alguém de novo. Enquanto isso, um salve à liberdade de ouvir o que quiser, com quem quiser; uma ovação ao senhor tempo que nos torna melhores; uma ode à Taylor Swift que deixou de escrever coisas pra mim desde 2014 e um aplauso para mim que só percebi isso agora.

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