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domingo, 26 de fevereiro de 2017

Minha experiência com o exame da OAB



O post de hoje tem uma proposta diferente. Eu vim falar da minha experiência prestando o Exame de Ordem, como eu me preparei, o que eu considerei efetivo para minha aprovação, dentre outras impressões a respeito do tema.

Nesse post, eu vou falar mais precisamente da primeira fase do exame e se esse tipo de post for do interesse de vocês, podemos escolher temas do interesse de vocês que sejam mais específicos sobre o exame de ordem pra eu falar nos próximos.

Vamos na seguinte ordem:
1. Como eu me organizei.
2. Quais matérias eu escolhi estudar.
3. Qual material utilizado.
4. Impressões da prova de primeira fase e meu desempenho.

Então, vamos lá.

1. COMO EU ME ORGANIZEI


Aos que me acompanham por aqui há algum tempo, já deu pra perceber que organização é um fator que eu levo muito a sério e acredito profundamente que é um exercício muito relevante para o sucesso.

Pensando nisso, comecei a estruturar meus estudos pra OAB algum tempo antes de começar a estudar de fato. Eu prestei o Exame de Ordem no 9º semestre do Curso de Direito, no início do ano de 2016. Nessa época eu estudava de manhã e trabalhava durante a tarde.

Justamente pela falta de tempo, organizei minha grade do semestre deixando o dia de segunda feira sem aula. Isso não é algo obrigatório, é claro, afinal essa é apenas uma exposição da minha experiência e não uma fórmula a ser seguida.

Como eu trabalhava e estudava, ter um dia da semana com a manhã livre me ajudou muito, principalmente porque eu estudava de forma mais intensa no final de semana e não perdia o fluxo porque estava em casa na segunda de manhã.

Comecei a organizar esses fatores no final de 2015. Eu já tinha então organizado minha grade do semestre. No mesmo período eu escolhi qual curso usaria pra estudar, mas vou falar especificamente sobre ele mais a frente.

Então, só faltava mesmo colocar a mão na massa. Eu me inscrevi para o XIX Exame da OAB e a primeira fase estava marcada para os primeiros dias do mês de abril. Significava dizer que eu tinha exatos três meses para estudar (janeiro, fevereiro e março).

Confesso pra vocês que começar não é uma tarefa fácil. Como eu decidi estudar por curso online, a questão da continuidade, ver várias aulas por dia, era uma dificuldade que eu tinha. Por isso, eu levei quase o mês de janeiro inteiro para aquecer.

Eu estudava de manhã, trabalhava de tarde e quando eu chegava em casa no período da noite, só conseguia assistir cerca dois vídeos de 30 minutos. Isso me frustrava profundamente, porque eu via todo aquele conteúdo que eu precisava estudar, mas só conseguia ficar focada por mais ou menos uma hora e acabava dormindo por cima dos cadernos.

O que eu fiz?

Primeiro dei tempo ao tempo, sem desistir. Eu sabia que em algum momento eu iria me acostumar com aquela realidade. 

Sabendo disso, criei metas. Inicialmente, determinei que eu teria que assistir pelo menos 2 aulas por dia o que totaliza uma quantia de 8 vídeos. Nos finais de semana, eu teria que estudar 3 aulas por dia, ou seja, 12 vídeos.

Pode parecer que isso seja pouco, caso você seja uma pessoa acostumada a estudar bem mais. Mas para uma pessoa que só conseguia ver dois vídeos por noite, trabalhar com essa meta foi um verdadeiro desafio.

Essa era a organização básica da minha semana. Alguns dias conseguia assistir mais que isso, outros não conseguia. 

O que mais estava incluso na minha organização?

Intercalar as aulas com resolução dos exames como se eu estivesse lá no dia fazendo a prova.

GENTE, RESOLVER OS EXAMES ANTERIORES É OURO!

Mas ATENÇÃO, não basta resolver os exames, tem que corrigir todas as questões chutadas e erradas. 

Eu fazia exatamente isso! As questões que eu não sabia ou que eu errei, eu anotava a resposta e o fundamento num post-it e colava na parede. 

No dia da prova, ao resolver meu exame, entendi que isso foi tão importante quanto assistir aulas. Eu sei que as questões não se repetem, mas o raciocínio sim. Por causa das resoluções de exames que fiz em casa, tinham questões que antes de terminar de ler eu já sabia qual era o raciocínio e aí pronto, era só procurar a correta nas alternativas!

Não quero dizer com isso que é uma prova fácil ou menosprezar a experiência de ninguém. Só estou compartilhado algo que funcionou muito pra mim. Foi uma surpresa, inclusive. Todo mundo fala que resolver questão dá certo, mas eu tive que fazer sozinha pra descobrir o quanto funciona. 

Eu refiz oito exames, partindo do XVIII até o XI e corrigindo todos eles, vendo os comentários das questões e anotando os erros pra colar na parede. 

Em resumo, essa foi a minha organização:

- Durante JANEIRO eu levei muito tempo pra aquecer e conseguir assistir um número maior de aulas. Não estudei praticamente nada nesse mês.

- Em FEVEREIRO eu já estava mais acostumada com a rotina, então passei a assistir de duas a três aulas por dia e intercalar com os exames.

- Em MARÇO que era o último mês da preparação, eu mantive esta rotina durante os 20 primeiros dias do mês. Separei os últimos 10 dias para REVISÃO.

Neste REVISÃO, eu reli todos os resumos que fiz das aulas, tentando gravar os detalhes que precisavam ser gravados e ler a legislação comentada nas aulas. Continuei com a resolução das provas também.

Mantive essa fase de revisão até o sábado anterior à prova. No DIA DA PROVA, eu não estudei mais. Mas eu fiz UMA COISA: li a parede que estava repleta de post-its com as explicações das questões que eu tinha errado.

Então, pessoal, esse foi um panorama geral dos meus DOIS meses de preparação. Eu não conto três meses porque, como disse, em janeiro eu quase não consegui estudar nada. 

Um último fator muito importante pra mim nesse período foi o exercício da fé. Não sei qual a crença de vocês, mas eu considero as orações e o contato com Deus o motivo primordial de eu ter mantido a cabeça no lugar

É uma fase estranha e de muita tensão essa de preparação pra OAB, então é muito importante que a gente consiga manter a paz interior que é um exercício diário, tal qual a organização e tão efetivo quanto.


2. QUAIS MATÉRIAS EU ESCOLHI ESTUDAR

Bom, gente, nós sabemos que em dois, três meses não dá tempo estudar todo o conteúdo de 5 anos do curso para prestar  o exame. Seria humanamente impossível.

Por isso, as matérias que você decidir estudar tem que ser muito bem escolhidas. 

Eu utilizei um raciocínio bem simples na escolha: as matérias que tinham um maior número de questões na prova!

Ainda assim, diante da minha realidade, não daria tempo ver todo o conteúdo. Então eu separei as matérias com mais questões em dois grupos: o primeiro grupo seriam aquelas que eu estudaria todo o conteúdo do curso e o segundo grupo seriam aquelas que, por falta de tempo, eu estudaria o curso resumido, intensivo.

As matérias que eu estudei todo o conteúdo do curso:

Ética Profissional - 10 questões
Direito Constitucional - 7 questões 
Direito Administrativo - 6 questões
Processo Civil - 6 questões
Direito Penal - 6 questões
Direito do Trabalho - 6 questões
Processo do Trabalho - 5 questões
* Direito Tributário - 4 questões

* Direito Tributário foi a única matéria que fugiu desta regra. Eu não estudei por causa do número de questões, até porque são apenas 4, mas sim por uma questão de afinidade com a matéria e porque era a área da minha segunda fase.

Isso foi bem importante, inclusive. Quando cheguei na segunda fase e fui estudar o direito material, muita coisa ainda estava na cabeça por causa da primeira fase!!!

As matérias que eu estudei pelo curso intensivo:

Direito Civil - 7 questões
Direito Empresarial - 5 questões
Processo Penal - 5 questões

Quanto ao restante das matérias, apesar de não ter visto as aulas, acabei treinando ao refazer os exames!

3. QUAL MATERIAL UTILIZADO

Na hora de qualquer preparação o material usado no estudo é muito importante. Acredito que nem preciso falar como é indispensável que as aulas, apostilas, resumos sejam de qualidade, atualizados e direcionado para os objetivos da prova.

Pensando nisso, escolhi estudar pelas aulas do Complexo de Ensino Renato Saraiva e só tenho elogios a tecer sobre o curso.

Eles realmente conhecem a banca, a prova e eu percebia isso a cada questão da prova que eu lia. Não tenho queixas a fazer. Assisti aulas do curso normal de preparação e algumas aulas do UTI. 

Além disso, comprei o livro de questões chamado "Como passar na OAB" da Editora FOCO. Ele me ajudou bastante também, já que tem todas as questões da FGV que já caíram no exame, com os devidos comentários feitos a cada alternativa, explicando os fundamentos e motivos para cada assertiva ser certa ou errada.

Esse foi o meu material. Além disso, utilizei só os resumos que eu mesma fiz e a legislação.

4. IMPRESSÕES DA PROVA DE PRIMEIRA FASE E MEU DESEMPENHO

Já comecei a prova tomando susto. O XIX Exame foi marcado por inovações nas questões de Ética. A prova fugiu completamente do que geralmente caía. Eu que costumava acertar praticamente todas as questões de ética em casa, me deparei com uma prova que eu não sabia responder.

Vocês devem imaginar o desespero que bateu. Afinal, todos nós sabemos o peso que a prova de ética tem no Exame de Ordem. Tentei manter a calma e prosseguir. Na correção, descobri que só tinha acertado 5 questões desta matéria.

No restante, a prova se manteve bem similar aos meus treinos. Sobre as matérias que eu estudei, caiu muita coisa que tinha sido destacada no curso, não tenho do que reclamar. 


A prova de processo civil, principalmente. Eu consegui acertar todas as questões, mas está longe de ser um super mérito meu. A prova estava a cópia da aula de Sabrina Dourado.

Inclusive, teve uma questão que a resposta foi EXATAMENTE um exemplo que ela deu na aula sobre Ação de Nunciação de Obra Nova!

No geral, percebi que muitas vezes o assunto abordado na questão vem nas entrelinhas e exige interpretação do aluno. As vezes eles colocam informações que não tem significância para aquele caso específico só pra confundir. As exceções caem tanto quanto as regras gerais ou talvez mais.

Em verdade, estamos falando de uma prova construída pra te fazer reprovar, por todas as razões que a gente já conhece. 

Por isso que eu continuo dizendo que o treino é um dos elementos mais importantes pra aprovação. Foi essencial pra mim!

Eu fiz OAB uma vez apenas e na primeira fase acertei 49 questões. Esse texto não é pra exaltar minha maneira de estudar. LONGE DISSO. O objetivo é apenas mostrar uma breve exposição de como foi a minha experiência e te dizer que, qualquer dúvida ou ajuda que você quiser, estarei aqui.

Aos interessados, meu material está a disposição também!!!

Só pra finalizar, preciso dizer que a aprovação na OAB não é uma ciência exata. O que funciona pra uma pessoa pode não funcionar pra outra. Mas lembre-se: só não passa quem desiste. Não há nada que uma dose de fé e resiliência não resolva.

Se você passou de primeira ou se ainda não passou e continua tentando, não importa. A carteira não faz distinções. Conta comigo pra qualquer ajuda!

Essa é só uma fase e a próxima já está aguardando por você!

Se vocês quiserem (me fala nos comentários) eu posso fazer posts exclusivamente sobre meus cronogramas diários e técnicas de estudo ou outras coisas que possam vir a interessar.

Espero que tenha sido útil. Bons estudos para todos nós!!!


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