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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

RESENHA: Eleanor & Park


Título: Eleanor & Park | Autora: Rainbow Rowell | Editora: Novo Século | Páginas: 325

Eu juro que só de pegar Eleanor & Park da estante para fazer essa resenha, os olhos já encheram de lágrimas. Hoje eu tenho muito pra falar e esse post vai além de uma resenha, é quase um desabafo! É isso que acontece quando descobrimos uma obra prima.

O livro conta a história da Eleanor e do Park utilizando o ponto de vista dos dois ao longo dos capítulos. Na primeira página está escrito: agosto de 1986. Isso é muito legal, porque você já começa a história com um recorte histórico-temporal específico e esse fator vai ser importante mais a frente. 

Eleanor está começando em um colégio novo! Só esse fator já é assustador o bastante, mas não para por aí. Ela vem de uma família cheia de problemas, com poucos recursos financeiros e é uma adolescente com aparência distinta. Seu cabelo é ruivo e volumoso, ela não tem o corpo escultural como as outras garotas do colégio e se veste de forma peculiar. Preconceito é a palavra de ordem com relação ao que Eleanor vai enfrentar no colégio novo.

Park é asiático, de família confortável estrutural e economicamente falando e conseguiu estar numa posição de conforto no colégio, já que ele não é dos populares, mas os populares deixam ele em paz, o que já é uma grande conquista. Ele não tem intenção nenhuma de sair dessa zona de conforto, por isso até inibe algumas vontades e tenta passar despercebido.

Acontece que tudo isso muda quando Eleanor entra no ônibus escolar e precisa de um lugar para sentar. Os populares, com a eterna sensação de superioridade, imediatamente começam a ser desagradáveis com Eleanor. Park pensa consigo que a acha muito estranha e que se ele oferecer o lugar pra ela, pode ser motivo para ser caçoado pelos colegas. De qualquer forma, ele oferece o assento vago ao seu lado.

Ela sentou ao lado dele no primeiro dia e em todos os dias que seguiram. E então começa! Começa a história de amor mais adorável que eu já vi e li. Eles compartilham o mesmo gosto por leitura e música e esses assuntos acabam sendo o que os conecta a princípio.

A orelha do livro diz: "um romance imperfeito e extraordinário" e eu não poderia descrever melhor. O fato de você poder ver o ponto de vista dos dois é muito incrível, já que o leitor percebe, antes dos personagens, como eles combinam. E as reações dos dois para o mesmo acontecimento é algo adorável de presenciar.

Acontece que tudo é muito sutil. Rowell escreveu com tamanha maestria e habilidade, que você vê um romance tão leve e transparente sendo desenvolvido diante de seus próprios olhos. Eu passei boa parte do livro sorrindo e eu realmente fui acalmada pela sutileza da história e dos personagens.

Mas a história não e só romance e o fator que mais me impressiona é a lição que a obra passa. Eleanor não é idealizada, Park menos ainda. Ela é uma adolescente, como qualquer outra na sua idade, tentando se sentir confortável em seu próprio corpo, tentando controlar seu cabelo, tentando ser normal e, para o padrão da época, falhando miseravelmente nessas funções. Park deixa que o império do medo e das inibições o domine. Eles são tão imperfeitos, como qualquer outro adolescente, ressalto mais uma vez, que são perfeitos um para o outro. E danem-se os padrões!

A verdade é que nós somos Eleanores e Parks o tempo todo. Eles são personagens, mas são reais. Dizem que a arte imita a vida, certo? Quem nunca se sentiu incompreendido ou teve vergonha de admitir e aceitar suas vontades? Qual garota nunca teve problemas em aceitar seu corpo ou aparência física? Eles não são personagens que passam a impressão de que acabaram de sair de uma capa de revista. Eles são você e eu e todos os jovens que passaram alguns anos tentando se encontrar em algum lugar ou em alguém.

Mas aí vem a melhor parte: o crescimento dos personagens. Se Eleanor se veste de um jeito estranho e não consegue controlar o cabelo, ainda assim ela passa pelos corredores do colégio de cabeça erguida. Eventualmente ele vai ser contagiado pela coragem arrebatadora de Eleanor e vai começar a fazer o que tinha vontade. Confiem em mim, é algo lindo de ver. Me fez desejar que eu fosse mais Eleanor na adolescência e que eu tivesse um Park pra mim.

Enquanto presenciamos um exemplo límpido de amor verdadeiro, também somos apresentados aos problemas na vida de Eleanor. Problemas estes que a tornam uma personagem impressionante. A gente sabe que algo vai acontecer em algum momento. E acredite, quando acontece, você não vai conseguir largar o livro.

Preciso falar também sobre as músicas!!! O livro é uma verdadeira playlist musical perfeita do que estava tocando na década de 80. Muito The Smiths, The Beatles, U2 e outras bandas icônicas que conhecemos e amamos.

Acho que já escrevi demais. A mensagem que realmente ficou na minha mente é que devemos ser fiéis a nossa essência e que a vida nos presenteia com pessoas maravilhosas. Também que precisamos aproveitar cada singelo instante na Terra. Que não importa o quão difícil seja a vida, sempre há algo de incrível reservado para nós se formos sensíveis o suficiente para perceber o que temos ao nosso redor.

E, finalmente, entendi que o amor tem que ser assim: sutil, adorável, companheiro e acolhedor. Qualquer coisa que fuja disso, deixou de ser amor ou nunca foi. Que possamos protagonizar romances  como o de Eleanor e Park em nossas vidas!

Acho que não preciso nem falar que indico esse livro né? Apenas leiam e se apaixonem.

Antes de ir embora vou deixar alguns trechos que aqueceram meu coração:

Ela "tinha as canções de Park na cabeça. E no peito, de alguma forma".

"Ele sorria com os olhos, mas nem tanto com a boca".

"Segurar a mão de Eleanor era como segurar uma borboleta. Ou um coração a bater. Como segurar algo completo, e completamente vivo".

"Quando tocou a mão de Eleanor, ele a reconheceu. Ele soube".

"Não sou mais minha, sou sua".

"Se ela tinha saudade? Queria perder-se dentro dele".

Espero muito que tenham gostado e que deixem nos comentários suas opiniões. Beijos no coração,

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