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sábado, 1 de agosto de 2015

ACORDADA - PARTE 1



Oi, gente! O post de hoje está diferente de tudo que já fiz aqui. Nos últimos meses tenho pensado MUITO em como as pessoas entram em nossas vidas e deixam marcas eternas, no cuidado que devemos ter com os sentimentos de outros e na influência que causamos em alguém.

Esses pensamentos constantes estavam tão intensos que até me incomodavam um pouco. Então, pensei que daria uma história interessante se eu conseguisse colocar essa temática como base. Não tenho experiência alguma em escrever contos, mas espero que eu consiga passar tudo que esteve na minha mente. A história continuará aos sábados aqui no blog!

Antes de começar, vamos à sinopse:

"Ana tem um trabalho diferente e rotineiro, porém muito importante. Ela precisa fazer uma entrega peculiar todos os dias às 16h. Em um dia onde tudo parece convidativo e diferente, a ação de outras pessoas a impede de realizar a sua função e até de continuar sua vida normalmente. Ela acorda um mês depois lembrando-se apenas daquele último dia e agora precisa saber o que ocorreu. Nessa busca incessante, Ana vai descobrir muito sobre o amor, o perdão e sobre si própria."

Agora sim, vamos à parte 1 de Acordada. Espero que gostem. Deixe seu comentário ao final da leitura pra me contar o que você achou!


PARTE 1


Estive pensando muito ultimamente no impacto que uma pessoa causa na vida de outra. Algumas entram na nossa vida para trazer imensas doses de felicidade. Então, mantemos essas pessoas por perto. Outras, são responsáveis por goles amargos de sofrer. Dessas nos afastamos. Mas e quanto àquelas que nos apresentam o céu na Terra, o sentido de viver, a alegria em sua mais pura essência e depois nos arranca tudo isso e nos larga na miséria? O que fazer com essas pessoas?

Caminhei rapidamente para fazer uma entrega importante enquanto pensava no assunto. Eu trabalho numa editora imensa e responsável pelas publicações literárias mais aguardadas do planeta. Por isso, todos os dias, às 16h exatamente, eu levo todo o conteúdo impresso de todos os capítulos enviados pelos autores até a casa do meu chefe.

É uma prática secreta e eu tenho que ser muito cuidadosa. Imagine que a J.K. Rowling decidiu escrever mais um livro de Harry Potter. Cada capítulo escrito, ela envia para a editora. Pois bem, eu sou a responsável por levar esses capítulos dos lançamentos até a casa do editor-chefe. Imprimo, apago dos computadores e levo. Meu trabalho! Na empresa, depois das 16h, não há qualquer material. Essa é a nossa política de segurança.

É uma prática estranha, mas quando questionei me disseram que é por ser muito óbvio que dá certo. Se algumas dessas obras caem na internet antes do lançamento oficial, adeus às arrecadações milionárias que mantêm a empresa e pagam o meu salário, diga-se de passagem. Acho que ninguém nunca imaginaria que uma jovem mulher estaria levando nas próprias mãos pelas ruas de uma cidade movimentada os capítulos dos lançamentos mais aguardados pelo comércio literário e por fanáticos leitores ao redor do mundo todo.

Agora que pensei no quanto o meu trabalho é importante, lembrei que não deveria estar com a mente tão distante. Pensando no efeito das pessoas em nossas vidas? Em como elas mudam nossos rumos? Atenção, garota! Minha missão de hoje é ainda mais importante, porque ninguém sabe de que obra são os capítulos que carrego, nem mesmo eu. Meu editor-chefe só disse que é algo inovador para a literatura mundial e que isso era tudo que eu precisava saber.

Então, caminhei ainda mais depressa e desci a escadaria da Estação Central (bem aonde foi gravado aquele flash mob do filme Amizade Colorida). E esse é um fato que todos sabem sobre mim: sou uma romântica assumida! Cheguei ao final das escadas e me direcionei para a saída oeste da Estação, ainda pensando em flash mobs e histórias de amor. 

Já na rua novamente, enquanto seguia a norte, uma jovem me dá um sorriso adorável. Percebo que ela está com dois Golden Retriviers e sorrio de volta, não sei se para ela ou para os cães. Alguns passos a frente há um jovem asiático, com panfletos e cartazes de uma agência de viagens. Ele  me olhando de forma terna e intensa ao mesmo tempo. Recebi um boa tarde de uma senhora mais a frente. Percebi que ela segurava edições lindas nas mãos de "O Morro dos Ventos Uivantes" e "Orgulho e Preconceito".

Alguns passos adiante, homem entregando folhetos me direciona um e vejo que trata-se de um calendário. A data de hoje (01 de Agosto de 2015) está marcada. Deve ser de algum comércio próximo, mas é muito estranho! Agosto não é o mês para distribuir calendários. Nem é do ano seguinte, é de 2015 mesmo! Alguém está atrasado. As pessoas estão diferentes hoje. Deus, como estou distraída!

Em meio a minha reclamação mental, decido que vou atravessar a rua, afinal as pessoas ali não estão me ajudando a manter o foco. Olho para trás e vejo que todos ainda me observam. Um passo adiante e já desci da calçada. Quando olho para a frente, há apenas um carro em alta velocidade bem próximo de mim. Não tive condições de observar o motorista ou fazer algum sinal. As vezes, achamos que temos todo o tempo do mundo, quando na verdade tempo é tudo que não temos. Não houve tempo nem de gritar. Há apenas uma coisa que passa em frações de segundos: a sua vida diante dos seus olhos. O que você fez e não fez. O dito e não dito. Arrependimentos. E medo. O medo não precisa de tempo pra chegar.

 Depois disso há apenas o impacto.

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O impacto. O impacto que uma pessoa causa na vida de outra. O impacto do carro. Abro os olhos com dificuldade. Estou numa maca, usando roupas de hospital, ligada a aparelhos. Há um relógio na parede branca demais e uma janela ao lado que indica um prédio a distância que reconheço como o Empire State. Há um calendário na mesa localizada na minha frente que indica a data (01 de Setembro de 2015).

E então tudo vem a mente de uma só vez! Eu na rua, as pessoas, o folheto, o calendário, o acidente. Acontece que isso não é tudo, mas é tudo que me lembro. E o meu nome, claro. Se estou correta, um mês se passou.

Entre o desespero e as lágrimas por não me lembrar de nada, está ali na minha mente, claro como água, os rostos das últimas pessoas que vi antes do acidente. Por algum motivo sinto que deveria descobrir quem elas são.

Meu nome é Ana. Estou em NY e acordada!

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