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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Resenha: Objetos Cortantes


Título: Objetos Cortantes | Autora: Gillian Flynn | Editora: Intrínseca | Páginas: 254.


Camille Preaker é uma repórter, mora em Chicago e trabalha num jornal sem muito prestígio. Seu editor, visando uma matéria que ajude no crescimento do jornal, pede que ela volte a sua cidade natal para cobrir a morte de uma garotinha e o desaparecimento de outra. A protagonista está relutante com a ideia de ter que voltar a Wind Gap e rever sua família, mas decide fazê-lo. Logo nos primeiro dias dela lá, o leitor consegue perceber que a família de Camille exala no mínimo estranheza. A relação dela com a mãe é delicada, Camille tem mágoas da infância e da morte de sua irmã caçula enquanto ainda era criança. Além disso, a protagonista mal se comunica com o padrasto e faz tanto tempo que não vê sua meia irmã que nem conhece suas feições.


Por não querer passar muito tempo com sua mãe, Camille envida esforços no sentido de escrever a matéria pra poder ir embora. Acontece que nem a polícia sabe muito bem como solucionar o caso, como também não quer fornecer informações para a imprensa. Ainda nas primeiras páginas a garotinha que estava desaparecida, Natalie, aparece morta, com sinais de estrangulamento e com os dentes arrancados assim como a vítima do primeiro assassinato, outra garotinha de nome Ann.

Camille começa a investigar, entrevistar pessoas e observar a rotina que as vítimas levavam, seus comportamentos e suas amizades. Quando mais ela adentrava na história, mais se sentia ligada de alguma forma aos crimes. A convivência na casa de sua mãe tornou-se também difícil de lidar e a fazia lembrar de todos os momentos terríveis durante a infância. Além disso, os comportamentos de sua irmã a deixavam intrigada, porque eram dotados de profunda dissimulação e inverdades.

Ao começar a aflorar as dificuldades de Camille em permanecer na cidade, chegamos ao ponto em que a protagonista confessa sofrer de problemas psiquiátricos por ter tendência à automutilação. Ela tinha o corpo inteiro marcado por palavras que ela cravou com objetos cortantes desde que era bem jovem. Camille sentia a tendência retornar por estar naquela cidade e devo dizer que nesse ponto da leitura, a narrativa sobre ela se cortar foi apenas impecável. A autora descreve de forma tão detalhada que incomoda. Eu sentia como se fosse a mim, tamanho o cuidado dela em contar a situação sofrida por Camille.

Com o desenvolver das investigações, Camille começa a perceber que aqueles assassinatos tem muito mais relação com ela do que imaginava. Então começam a vir à tona segredos sobre sua família, sobre as vítimas e tudo leva a um desfecho simplesmente espetacular. O que mais se destacou pra mim no que diz respeito ao final da história foi o motivo pelo qual o assassino arrancava os dentes das vítimas e onde eles foram encontrados.

A diagramação do livro é perfeita e agradável, as letras são grandes, o espaçamento é adequado. Os personagens são enigmáticos, dos mais importantes aos que não tiveram tanta participação. Camille não é aquela protagonista idealizada que só tem atitudes acertadas e se dá bem no final. Muito pelo contrário, idealização não é o objetivo da obra. A protagonista se automutila, toma diversas decisões duvidáveis, apresenta suas dúvidas e seus inúmeros incômodos que sempre a levam ao anseio de se cortar. E o final não foi exatamente uma ode à alegria para ela. Posso dizer com certeza que foi perturbador estar na mente de Camille, mas ao mesmo tempo posso dizer que ela é uma das personagens mais intrigantes que tive a oportunidade de conhecer/ler. O livro me afetou e me deixou perplexa de tal forma que eu não dormi direito na noite em que terminei de ler.

Objetos Cortantes é da mesma autora de Garota Exemplar e mais uma vez Gillian mostra a sua capacidade indescritível de construir uma trama da qual o leitor não consegue sair até chegar ao final. Tinha um tempo que eu não me empolgava assim com uma obra e este livro definitivamente entrou para os melhores que li em 2015. Eu fui transportada a Wind Gap e não tive paz enquanto não cheguei ao final da história para descobrir a verdadeira razão dos assassinatos e quem era o responsável por eles. Não posso contar mais detalhes porque corro o risco de falar algo que não deveria, mas posso adiantar que foi surpreendente, perturbador e intenso.


Por fim, a obra deixou em mim questionamentos importantes como o que uma família disfuncional pode causar aos filhos, as consequências das decisões e comportamentos paternos no desenvolvimento das crianças, o que o descuido, a insanidade e a ausência de diálogo pode trazer a uma relação familiar. Lógico que não é o foco principal da história, mas mesmo não sendo, leva o leitor a pensar nessas questões e no que levou os personagens a agirem dessa forma. Além disso, fala sobre a tendência de Camille a se cortar e eu nunca tinha lido algo dessa proporção. O corpo dela era um livro de marcas que eram resultados das palavras que ela ansiava em “escrever”. Posso dizer uma coisa: me fez pensar na natureza humana e só por isso já sou grata por tê-lo lido.

6 comentários:

  1. Nunca li um livro que me "afetasse" de maneira que não me deixasse dormir. Pelo que você disse, ele foge do clichê, né? Deu tanta vontade de ler :(

    www.pausaproretoque.com

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    1. Duda, ele é super diferente de tudo que já li. E como foge do clichê. Eu achei sensacional. Leia!!! Te garanto que vai ser intrigante.

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  2. Eu tinha visto esse livro no Amazon hoje mesmo e o titulo me chamou muito a atenção mas sinceramente não cheguei a parar para ler a sinopse. O livro parece incrível, eu já quero ler e todo esse mistério e envolvimento pessoal da protagonista me deixou bastante curiosa.

    http://www.leitecombiscoitos.com/

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    1. Essa coisa de a própria protagonista ter seus problemas sérios foi um dos pontos altos do livro. Leia ele!!! Tenho certeza que vai se surpreender!!!

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  3. Amei o primeiro livro, já vi resenha dele.

    http://alinesecretplace.blogspot.com.br/

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