Você não pode partir um coração partido

janeiro 16, 2015


Enquanto toca a playlist “Coração Partido” no Spotify, eu penso em como eu amei. São duas certezas que eu tenho: que eu amei e que tive o tradicional fim. A segunda eu tenho certeza, porque de todas as playlists que eu tinha pra escutar, essa foi a escolhida. A primeira eu tenho certeza que aconteceu, porque eu nunca mais fui a mesma pessoa.

“Não sei de que nossas almas são constituídas, mas a dele e a minha são iguais”. Ao ler essa frase em “O morro dos ventos uivantes”, entendi como se coloca em palavras o amor. É uma forma incerta de conexão entre almas. Nada, além disso, justificaria a sensação que passa pelo nosso corpo, como se personificássemos a ideia de casa. Você se reconhece em alguém, como um reflexo no espelho. Acontece poucas vezes, já que nossa passagem é curta na terra e somos lares imperfeitos para habitar tamanha pureza em forma de sentimento.

Quando acontece, normalmente não enxergamos logo, dada à nossa tamanha imperfeição. Mas no momento em que tomamos ciência do acontecimento, passamos de inteiro para metade. Talvez um pouco piegas, mas comigo foi assim. A partir daí, não da pra respirar direito se não soubermos que o outro está bem e em segurança. Não dá pra ser completo sozinho, já que necessitamos do outro cada vez mais perto e mais perto, até que a distância seja apenas um conceito.

Entendam que ser metade nesse momento e viver as maiores incertezas e inseguranças da vida nunca pareceu tão convidativo. E foi incrível e eu fui receptiva, fui compreensiva, fui calma e paciente, fui uma nova pessoa. Essa nova pessoa estava aberta e entendia que a felicidade era um trabalho em equipe, uma missão pronta para ser iniciada em conjunto. Eu passei a entender que não precisamos de jogos e refrães complicados, mas apenas de uma melodia simples cantada com a companhia certa.

Quando eu entendi tudo isso, tinha chegado a hora de ouvir meu primeiro adeus. Parece que tudo tinha sido um teste, que quando eu passei, ele acabou. O novo ser que eu era, melhor e mais altruísta corria o risco de ser uma versão inferior. Talvez parte da superação seja não perder a si mesmo com o adeus. É uma tarefa diária porque quando você está aberta para receber as coisas maravilhosas, é ainda mais afetado quando tem que abandoná-las.

Sei que quase fui junto quando tive que me despedir. Talvez não tenha dito adeus até hoje. Talvez existam outros amores e outras formas de amar. A minha foi assim, mas espero conhecer outras, se houver tempo e chance. Talvez existam outros finais. Talvez nem tenha terminado, sabe? Talvez eu esteja em um progresso. Talvez eu não tenha muitas certezas. Mas um dia, “Coração Partido” não será minha playlist. 


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4 comentários

  1. Amei o post, perfeitinho! Parabéns pelo blog! Beijinhos e sucesso.
    http://carolsabetudo.blogspot.com.br/

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    1. Muito obrigada, Karol! Muito sucesso para nós :D

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  2. É até dificil de comentar...simplesmente incrível!

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    1. Davinho, vc por aqui hahahaha. Muito obrigada, viu? Bjsss

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