Image Map

domingo, 18 de janeiro de 2015

Livro - O Morro dos Ventos Uivantes


Autora: Emily Brontë / Tradução: Solange Pinheiro / Editora: Martin Claret / Páginas: 514

Antes de começar a comentar a história, preciso dizer que sempre quis ler o livro, desde novinha, mas fico feliz por não ter lido. Ficou evidente pra mim que eu não tinha maturidade suficiente para entender a obra, os personagens, o cenário e a complexidade da história de maneira geral. Hoje, aos 21 anos, estou perplexa e encantada. Pretendo ler novamente quando for mais velha, porque certamente terei uma experiência diversa da que tive agora.


A história se inicia quando Sr. Lockwood aluga uma propriedade no interior da Inglaterra e decide conhecer seu senhorio, Sr. Heathcliff. Por motivos que vocês verão no livro, Sr. Lockwood precisa passar uma noite na propriedade de seu senhorio, o Morro dos Ventos Uivantes. Por esta razão, somos apresentados aos personagens. Devo confessar que me trouxe muita surpresa a dinâmica dos moradores do Morro. Minha percepção foi de uma família estranha (sim, estranha), grosseira e sem muitos laços de afeto entre eles. O tratamento dado ao Sr. Lockwood também foi dos piores possíveis e isso aguçou sua curiosidade. Logo, quando ele retorna para a propriedade que tinha alugado, a Granja da Cruz do Tordo, questiona a serviçal Nelly sobre a família e ela decide contar toda a história para ele.



Assim, a narrativa do livro é feita por Nelly. Devo dizer que ela é uma personagem incrível, porque é uma narradora que tem participação intensa na história toda, além de ter sua opinião formada sobre a vida que todos levam, sobre os comportamentos e sobre lealdade. Ela começa a explicar que Heathcliff, quando criança, foi trazido para o Morro pelo Sr. Earnshaw, chefe da família Earnshaw e dono da propriedade na época. Ele tinha dois filhos, Hareton e Catherine, que não receberam bem a notícia de uma nova criança em casa. Todavia, a afeição entre Heathcliff e Catherine foi aumentando com o passar dos anos, assim como a raiva que Hareton tinha de Heathcliff. Quando Sr. Earnshaw morre, Hareton passa a ser o responsável pela família e torna a vida de Heathcliff um inferno, mas a sua salvação ainda era Catherine com quem compartilhava muitas alegrias.

Acontece que Catherine se vê na idade de um possível casamento e então começa a analisar suas opções: o vizinho bem apessoado, educado e rico, Edgard Linton, ou seu companheiro e amigo Heathcliff que apesar de toda a cumplicidade, não possuía qualquer dinheiro ou educação. Quando ela decide racionalmente por Edgard, Heathcliff vai embora do Morro dos Ventos Uivantes e volta um tempo depois, rico e pronto para se vingar de todos que o fizeram mal.



Esta é apenas uma breve consideração sobre o enredo, que logicamente é bem mais intenso e repleto de peculiaridades. Não posso deixar de comentar que a obra não é exclusivamente um romance. Na minha concepção, é um tratado sobre a natureza humana. Os interesses que levam os personagens a fazerem suas escolhas, as formas como se relacionam uns com os outros, seus amores, seus ódios são típicos do ser humano. Além disso, nenhum dos personagens é herói, muito pelo contrário. Eles são extremamente egoístas, individualistas e principalmente complexos. Cada um deles tem uma particularidade, coisas ruins e boas. As boas geralmente estavam relacionadas com o amor. Esse fato me impressionou bastante. Eu me pegava pensando: como pode uma pessoa ser tão ruim em seus atos e tão altruísta com quem se ama?

Heathcliff é um exemplo claro disso, já que amou Catherine com todo o seu corpo, mas não deixou de cometer atrocidades com outros personagens. A própria Catherine era uma personagem excêntrica, mas quando se tratava dele, ela era uma versão melhor de si. E a história passa por gerações de personagens diferentes, complexos e maravilhosamente construídos.



Como eu disse anteriormente, fiquei encantada com toda a história, muito surpresa pela variedade de acontecimentos e pela constante passagem do tempo. A conexão que a obra tem com a morte, quase uma intimidade e o isolamento que os personagens vivem foram fatores que realmente se destacaram para mim. Antes de começar a ler eu não tinha muita noção do que era abordado na trama, mas foi uma surpresa agradável. Penso que um livro cumpre seu propósito quando, independente da época em que foi escrito, tem um efeito sobre o leitor, traz questionamentos, te coloca pra pensar. O Morro dos Ventos Uivantes cumpriu seu papel de forma grandiosa.  Comecei minhas leituras de 2015 muito bem e indico a obra. 

Melhores trechos: "Ele nunca vai saber quanto eu o amo; e o amo não por ele ser bonito, Nelly, mas por ele ser mais do que eu própria sou. Não sei de que nossas almas são constituídas, mas a dele e a minha são iguais."

"Eles esqueciam tudo no instante em que estavam juntos novamente".

"Um homem sensato deve encontrar companhia suficiente em si mesmo".

"Criaturas inconstantes somos nós".

2 comentários:

  1. Olá! Vi outra edição (da Biblioteca Azul) cujas dimensões do livro são menores, este tem anotações, mas ainda assim a quantidade de páginas é inferior. Você saberia me dizer se há alguma diferença em conteúdo, ou apenas tamanho da Fonte? Obrigado =)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, João. Não conheço essa edição da biblioteca azul, mas se você está procurando uma para comprar, indico a da Zahar que é bem completa e conta com textos de apoio sobre a autora. Além disso, é em capa dura e acabamento de luxo! Uma verdadeira joia para amantes de livros!!!

      Excluir